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Análise global do perfil de expressão gênica de macrófagos geneticamente modificados com a variante alélica (L162V) para a avaliação do papel do gene PPAR± humano no estabelecimento da infecção por Leishmania infantum

Resumo

Os receptores ativados da proliferação de peroxissomos (PPARs) compõem uma subfamília de receptores nucleares. Três isoformas, codificadas por genes separados, foram identificadas até então: PPAR±, PPAR² e PPAR³. Esses receptores, que agem como fatores de transcrição, exibem diferentes funções e distribuições nos tecidos. Até o presente momento, sabe-se que os genes regulados pelos PPARs participam principalmente da regulação de proteínas chave, envolvidas no metabolismo intra e extracelular de lipídeos, oxidação de ácidos graxos e processos inflamatórios. O PPAR±, em especial, é expresso em vários tecidos metabolicamente ativos, incluindo fígado, rim, coração, músculo esquelético, tecido adiposo e nos macrófagos que além de fazerem parte do sistema imunológico, possuem um papel importante no metabolismo lipídico. Pela sua influência na regulação lipídica e pelo fato da sua atividade ser facilmente modulada por drogas sintéticas, o PPAR± é considerado um alvo muito importante para o tratamento eficaz das dislipidemias.Desordens lipídicas têm sido relatadas em pacientes humanos e até mesmo em cãesdomésticos com Leishmaniose Visceral (LV) ativa. A LV no Brasil é uma doença parasitária causada pela infecção de macrófagos do hospedeiro pelo protozoário Leishmania infantum e transmitida pelo flebotomíneo Lutzomyia longipalpis , tendo como principais reservatórios os canídeos selvagens e cães domésticos.Nesse contexto, o PPAR± pode-se mostrar como um possível gene candidato a contribuir com o risco geneticamente determinado da LV. Em um estudo caso-controle realizado pelo nosso grupo na área endêmica de Teresina-PI genótipos contendo o alelo mutado 162V foram significativamente mais freqüentes entre indivíduos com LV do que entre todos os indivíduos não infectados (p= 0.007). Além disso indivíduos sadios possuindo pelo menos um alelo mutado 162V, apresentam quase quatro vezes mais chances de contrair a doença do que indivíduos que não possuem a mutação (razão de chances 3,91 e intervalo de confiança 1,38-11,07). O presente projeto tem por objetivo utilizar a tecnologia CRISPR-Cas9 para a geração de macrófagos geneticamente modificados para conter a mutação L162V do gene PPAR± humano para a realização de ensaios de infecção in vitro com Leishmania infantum e também uma análise global do perfil de expressão gênica das células modificadas com o intuito de avaliar o papel da variante alélica L162V do gene PPAR± no estabelecimento e desenvolvimento da Leishmaniose Visceral. (AU)