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As políticas da cultura: uma etnografia de trânsitos, encontros e militância na construção de uma Política Nacional de cultura

Processo: 17/09949-4
Linha de fomento:Auxílio à Pesquisa - Publicações científicas - Livros no Brasil
Vigência: 01 de agosto de 2017 - 31 de janeiro de 2019
Área do conhecimento:Ciências Humanas - Antropologia
Pesquisador responsável:Fernanda Arêas Peixoto
Beneficiário:Fernanda Arêas Peixoto
Instituição-sede: Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH). Universidade de São Paulo (USP). São Paulo , SP, Brasil
Assunto(s):Movimentos sociais  Política cultural  Democracia participativa 

Resumo

O livro apresenta uma pesquisa sobre a atuação da chamada sociedade civil em espaços participativos institucionalizados, que proliferaram no contexto da construção de uma política nacional de cultura ao longo dos governos Lula (2003-2010) e Dilma (2011-2016). Trata-se de uma etnografia multi-situada que acompanhou o deslocamento de representantes que viajavam para atender reuniões, realizadas em diversas cidades, a fim de discutir e propor políticas culturais, promovendo um trânsito não apenas de pessoas, mas também de artefatos (como documentos) e ideias ao longo do território nacional. Portanto, apesar de partir de instâncias oficiais (espaços participativos como o Conselho Nacional de Políticas Culturais, seus colegiados setoriais e as conferências de cultura), o trabalho ilumina uma série de aspectos e processos que estão para além do institucional, e que foram essenciais à construção da política nacional em questão. Um conjunto extenso e variado de materiais foi considerado: o trânsito de pessoas; a circulação de ideias e modelos relativos a "cultura", "política" e "política cultural", corporificados em atas, relatórios, leis, organogramas e outros documentos; as metodologias e os procedimentos organizacionais utilizados para estruturar uma conferência ou para realizar uma votação; as práticas e elementos oriundos dos universos culturais representados, que eram percebidas como uma maneira própria da cultura fazer política. Aliando referências de dois campos distintos da antropologia (de um lado, da antropologia da política; de outro, de uma recente antropologia da burocracia interessada na análise de dimensões formais), o livro descreve a diversidade de práticas que constituíram as experiências de democracia participativa na área da cultura no período considerado, e mostra como a proliferação de espaços participativos resultou na criação de instâncias e agentes de difusão de entendimentos e modelos particulares de política cultural e de gestão pública. Ele revela, assim, que a construção da política nacional de cultura apenas foi possível graças à atuação dos representantes da sociedade civil (que constituíram um dos principais agentes a demandar e, portanto, a disseminar a proposta inicialmente elaborada pelo MinC). Finalmente, ele permite elaborar analiticamente o aparente paradoxo colocado pela existência concomitante de intensos fluxos (que cruzam, a todo momento, fronteiras) e de imagens totalizantes do que seja o Estado, a sociedade civil e a cultura brasileira, mostrando como é justamente através dos trânsitos que sujeitos, coletivos e categorias das políticas culturais se constituem relacional e simultaneamente. (AU)