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Ibirapuera: parque metropolitano (1926-1954)

Resumo

Este projeto editorial visa à conversão da tese "Ibirapuera: Parque metropolitano (1926-1954)" em livro com o mesmo título. O argumento central da obra é que o Parque Ibirapuera emerge em 1954, no contexto das comemorações do IV Centenário de São Paulo, como objeto de disputa entre diferentes grupos de poder. A importância dessa disputa reside no fato de que havia uma intensa oposição à implantação de edificações nos terrenos destinados ao Parque, particularmente calorosa a partir de 1951, quando se decidiu realizar a obra. Justifica-se o envio do trabalho neste momento em função dos debates que têm sido levantados em torno da privatização do parque. Ressalta-se também a oportunidade que tive de retomar esse trabalho em 2014, em função da curadoria que realizei da exposição "Ibirapuera: Modernidades Sobrepostas" na OCA, para o Museu da Cidade de São Paulo, juntamente com o Prof. Rodrigo Queiroz. Essa curadoria deu-me a possibilidade de revisitar a pesquisa e complementar fontes fundamentais para sua finalização. O livro constitui-se de uma introdução, cinco capítulos, um texto de considerações finais e uma listagem de bibliografia. A estrutura do texto é construída de forma a compor um quadro de referências provenientes de diferentes campos, com vistas a contextualizar o projeto do Parque Ibirapuera e da Feira Internacional da Indústria no âmbito da já referida disputa. Na introdução, perfaz-se uma apresentação da obra, situando-a no contexto da produção bibliográfica já consagrada sobre o Parque Ibirapuera, que tende a situá-lo no contexto comemorativo e ufanista do IV Centenário da cidade de São Paulo, negligenciando o embate que se colocava em relação aos conflitos em torno do problema de como deveria se dar a apropriação da área do Parque. O primeiro capítulo gira em torno da transformação de São Paulo em metrópole durante a década de 1950. Naquele momento, diversos autores de diferentes disciplinas das ciências humanas se preocuparam com o tema da metrópole em seus estudos, propondo um debate sobre o desenvolvimento de São Paulo a partir de suas próprias disciplinas, de forma a engendrar ferramentas técnicas e científicas para lidar com o novo fenômeno urbano e social. O segundo capítulo é dedicado à história da preservação do vazio na gleba da Chácara do Ibirapuera desde a decisão municipal da criação de um Parque no local até a sua efetiva implantação. Diversas fontes históricas documentais atestam que houve sucessivas tentativas de ocupação da gleba tanto por particulares como pelo poder público. A partir da decisão de se criar um parque na Várzea do Ibirapuera, em 1926, até a sua efetiva realização, em 1954, ele foi citado e previsto em todos os planos e discussões urbanísticas que consideravam a cidade em sua totalidade. Os significados do parque e dos espaços livres da cidade vão se transformando em cada um desses debates. O terceiro capítulo trata dessas transformações, procurando evidenciar qual concepção de espaço livre era proposta em cada um desses trabalhos, suas oposições e seus avanços. O quarto capítulo evoca a figura de Francisco Matarazzo Sobrinho, que promoveu a realização do parque, como presidente da Comissão do IV Centenário. Seu programa de cultura voltava-se para a divulgação da arte moderna e dos produtos da indústria para o grande público paulistano. Essas realizações são apresentadas como parte do projeto encampado pelo presidente da Comissão para a celebração do evento. Tal atuação implicou em uma disputa veemente por parte de um grupo que acreditava que não deveria haver construções permanentes no parque. As polêmicas geradas em torno do seu projeto foram apresentadas no último capítulo da obra. Finalmente, nas considerações finais, apresenta-se um balanço do material apresentado no livro, com vistas a estabelecer uma interpretação possível para o processo em questão. (AU)