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Utilização de células-tronco mesenquimais em modelo porcino de sepse

Resumo

A sepse, definida como resposta inflamatória deletéria a uma infecção, pode evoluir para sepse grave (disfunções de múltiplos órgãos) e ao choque séptico (sepse grave associado a hipotensão refratária a ressuscitação volêmica), e apesar da evolução no conhecimento dos mecanismos fisiopatológicos e dos tratamentos, ainda continua a ser um dos maiores desafios na área da terapia intensiva, com uma elevada taxa de mortalidade. Células-tronco mesenquimais (CTM) são células precursoras indiferenciadas com capacidade de auto renovação e habilidade de diferenciação em múltiplas linhagens celulares. As células tronco, por meio de mecanismos de modulação da resposta inflamatória, como diminuição de expressão de citocina inflamatórias, aumento de citocinas anti-inflamatórias e diminuição de recrutamento de neutrófilos, favorecem a diminuição da lesão inflamatória, facilitando a recuperação. Essas propriedades promissoras têm levado, nos últimos anos, a um crescente interesse no emprego de células tronco no tratamento das alterações inflamatórias iniciais e disfunções orgânicas tardias decorrentes da sepse. Embora muitos estudos apresentem resultados positivos como diminuição de mortalidade e de inflamação sistêmica com a administração de células tronco mesenquimais em modelos de sepse em ratos e camundongos, não encontramos nenhum estudo com avaliação hemodinâmica em modelos mais complexos como o modelo porcino. Até o momento, apenas um estudo foi realizado em modelo suíno de hemorragia e endotoxemia, com a utilização de células progenitoras endoteliais. O modelo suíno foi escolhido pelas semelhanças cardiovasculares e pelo fato do tamanho do animal possibilitar a avaliação hemodinâmica mais completa com cateter de artéria pulmonar, e coletas seriadas de sangue, permitindo a avaliação hemodinâmica e metabólica contínua. Os objetivos do nosso estudo serão avaliar os efeitos das células-tronco mesenquimais sobre as funções hemodinâmica, pulmonar, renal, hepática e a resposta inflamatória em modelo de sepse porcino. Serão utilizados 25 suinos fêmeas randomizados em 3 grupos: Sham (n=5): os animais serão mantidos anestesiados e ventilados durante o período de 24h, sem indução de peritonite; Sepse (n=10): os animais serão submetidos a peritonite fecal e avaliados durante 24h; Sepse+CTM (n=10): os animais serão submetidos a peritonite fecal e após 6h, será realizado a administração de CTM humanas, na dose de 106 celulas/kg em 0,5ml e avaliados durante 24h. O projeto envolverá avaliação hemodinâmica, respiratória, renal, hepática, imunológica e possíveis vias envolvidas em processos de lesão e proteção tecidual (AU)