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Negros nas cidades brasileiras

Processo: 17/10365-7
Linha de fomento:Auxílio à Pesquisa - Publicações científicas - Livros no Brasil
Vigência: 01 de dezembro de 2017 - 30 de novembro de 2018
Área do conhecimento:Ciências Humanas - Sociologia - Outras Sociologias Específicas
Pesquisador responsável:Ana Cláudia Castilho Barone
Beneficiário:Ana Cláudia Castilho Barone
Instituição-sede: Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU). Universidade de São Paulo (USP). São Paulo , SP, Brasil
Assunto(s):Relações raciais 

Resumo

O projeto editorial que segue visa à publicação da coletânea "Negros nas cidades Brasileiras (1890-1950). A coletânea reflete os trabalhos apresentados no contexto do seminário de mesmo nome, organizado em parceria entre a FAU-USP e o CPC-USP, em de agosto de 2015.O principal propósito da coletânea é colocar em relevo a questão do espaço urbano no Brasil sob a perspectiva das relações raciais. Tradicionalmente, os estudos relativos à questão racial privilegiam uma dimensão histórico-temporal, com poucas investigações sobre as disputas pelo espaço por parte dos diferentes grupos étnico-raciais. Por outro lado, o enfoque dos estudos em relação às lutas pelo espaço urbano, desde a década de 1970, tem privilegiado o recorte por classes sociais. Dessa forma, torna-se necessário um esforço duplo: por um lado, ampliar o campo de discussões em torno das relações raciais, de modo a incorporar os aspectos da produção e das disputas pelo território urbano; por outro, recompor o debate sobre o próprio espaço urbano, fazendo observar a construção histórica da desigualdade e da segregação do ponto de vista racial. Os textos aqui reunidos oferecem ganhos analíticos, interpretativos e teóricos. Sua diversidade se fez notar desde as fontes de pesquisa até as abordagens teóricas e metodológicas presentes no livro. A multidisciplinaridade permite diferentes ângulos de analises da questão racial no espaço urbano. O saber especializado sai do confinamento dos campos disciplinares, abrindo-se para um debate inquietante, envolvendo, ademais, diferentes gerações de pesquisadores. A coletânea conta com autores que há algumas décadas investigam essas questões e também jovens pesquisadores, recém-doutores, cujos trabalhos já são referência para o tema das relações raciais no Brasil. Do ponto de vista teórico, aparecem sistematização importantes nos campos da geografia, do urbanismo e da sociologia. Valter Silvério faz uma importante costura bibliográfica de referências centrais para esses campos, em uma importante reflexão sobre temas como racialização e diáspora. Antônio Sérgio Guimarães contrapõe o processo de racialização, como forma de dominação racial, ao de formação racial, como insurgência do grupo subordinado contra a dominação. Renato Emerson dos Santos oferece uma sistematização histórica do campo disciplinar da geografia, apontando os momentos em que o problema das relações raciais ganhou destaque. No que se refere à inovação das fontes, Domingues recorre à história do futebol para elevar a autoestima dos afro-paulistas. Woodard mostra as conexões do ativismo operário negro no contextos político das greves ferroviárias em Campinas. Maria Helena Machado trata das lutas e dificuldades das mulheres alforriadas em termos do direito à maternidade e da preservação da unidade familiar. Matheus de Jesus apresenta uma espacialização das diferentes edificações, dos espaços domésticos e das expressões religiosas e culturais na cidade de São Luiz do Maranhão, na vidada do século XIX para o XX. Do ponto de vista metodológico, a análise de trajetórias também se mostra relevante para flagrar especificidades do tema. Lilia Schwarcz dá enfoque nas ambivalências na trajetória de Lima Barreto e sua sensibilidade para as marcações territoriais, de cor e sócio-econômicas da sociedade carioca. Marc Hertzman privilegia as formas da recepção do grupo Os Oito Batutas nas diferentes regiões por onde passaram e a variação da manipulação de repertórios culturais e musicais para diferentes plateias.Em termos temáticos e analíticos, a questão das ferrovias mostra-se reincidente e, portanto, central para compreender a localização e distribuição da população negra no espaço urbano, nos trabalhos do sociólogo Mário Augusto Medeiros, da antropóloga Lilia Schwarcz e do geógrafo Andrelino Campos.Em síntese, os textos aqui reunidos estabelecem diálogo crítico, indicando novas possibilidades de se pensar as relações raciais e o espaço urbano sob primas diversos (AU)