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Um rolê pela cidade de riscos: leituras da piXação em São Paulo

Processo: 18/02985-8
Linha de fomento:Auxílio à Pesquisa - Publicações científicas - Livros no Brasil
Vigência: 01 de maio de 2018 - 30 de abril de 2019
Área do conhecimento:Ciências Humanas - Antropologia - Antropologia Urbana
Pesquisador responsável:Alexandre Barbosa Pereira
Beneficiário:Alexandre Barbosa Pereira
Instituição-sede: Escola de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (EFLCH). Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP). Campus Guarulhos. Guarulhos , SP, Brasil
Assunto(s):Arte na paisagem urbana  Intervenção urbana  Espaço urbano  Periferia  Riscos  Jovens  Livros  Publicações de divulgação científica 

Resumo

O livro, Um rolê pela cidade de riscos: leituras da piXação em São Paulo, apresenta as particularidades dessa forma de intervenção visual urbana na cidade de São Paulo, situando-a no contexto das artes de rua e evidenciando suas aproximações e distanciamento em relação ao graffiti. No Brasil, ao contrário do que acontece em outros países, diferencia-se graffiti de pichação. Por isso, a distinção feita pelos próprios protagonistas dessa forma de expressão do que eles fazem como: "pixação" e não "pichação", pois a última remeteria apenas a frases ou palavras comuns escritas, geralmente em tinta spray, em elementos da paisagem urbana. Já a pixação remeteria à composição de uma grafia estilizada e de difícil entendimento por quem não pertence a esse mundo, articulando uma extensa rede de reconhecimento social. Desse modo, o livro trata também das relações da pixação com e no contexto urbano, evidenciando seus contornos de classe social, principalmente a partir da mobilização da categoria periferia, e discutindo sua dimensão de prática cultural juvenil. Além disso, aborda-se a relação dessa prática com as questões do risco, medo e pânico moral. A pesquisa antropológica revelou que a pixação paulistana mobiliza um complexo jogo dialético entre fama e anonimato que pode proporcionar reconhecimento social dentro do mundo da pixação. O livro divide-se em cinco capítulos. No primeiro, apresenta-se a expressão estética da pixação em si, sua forma e os termos que ela nomeia, apontando sua relação com a outra intervenção visual: o graffiti. No segundo, discute-se a relação da pixação e de seus protagonistas com o espaço urbano em São Paulo, demonstrando o modo como jovens pobres da periferia tomam o centro da cidade como espaço privilegiado de atuação. No terceiro, o capítulo trata das trocas, alianças, conflitos e de uma categoria que organiza essas relações, a noção de humildade. Já o quarto capítulo situa a pixação dentro do campo de estudos da juventude e demonstra como muitos dos protagonistas dessa atividade transitam por outras práticas culturais juvenis. Por fim, no quinto capítulo, aborda-se as experiências de risco, medo e adrenalina que essa prática suscita nos seus autores, mas também no restante da população.A pesquisa etnográfica aborda, portanto, como a pixação em São Paulo tem se configurado nos últimos 15 anos, apontando as permanências e transformações. Ele toma como base pesquisa anterior, realizado para dissertação de mestrado em Antropologia Social defendida em 2005, pela USP, intitulada "De rolê pela cidade: os pixadores em São Paulo". Entretanto, apesar de tomar vários elementos dessa dissertação como base, trata-se de novo texto, totalmente modificado e atualizado, com novas questões, que traz, inclusive, os conflitos mais recentes em torno do projeto Cidade Linda, do atual prefeito paulistano, como ponto de partida. Realiza-se, assim, uma descrição das transformações pelas quais essa atividade tem passado nos últimos 10 anos, a partir de ações espetaculares no campo das artes, como as intervenções na Bienal de Artes de São Paulo e Berlim, entre outras. Apresenta-se, portanto, uma pesquisa antropológica ampliada sobre a pixação paulistana, sua rede de relações e desdobramentos na gestão e cotidiano da cidade. (AU)