Resumo
A fragmentação de habitats é hoje um dos problemas mais sérios existentes. Nos trópicos, perde-se a cada dia uma quantidade imensa de espécies antes mesmo de a ciência as conhecer. Como os habitats fragmentados serão o padrão no futuro, é preciso empreender ações de gestão ambiental para evitar a ruína da diversidade biológica e de todos os benefícios dela derivados. Este projeto pretende estudar alguns efeitos vitais da fragmentação numa paisagem formada por fragmentos de floresta tropical secundária do bioma Mata Atlântica (23035`S, 23050`S; e 46º 45`W, 47015`W) e fornecer uma base ecológica para a gestão regional, para promover a persistência do maior número possível de espécies na paisagem. Nesse contexto, o principal objetivo do projeto é verificar que arranjo espacial e quais elementos da paisagem são necessários para manter a diversidade biológica, por: 1) descrever a história da fragmentação e da regeneração da paisagem; 2) relacionar tamanho de fragmento e tipo de matriz com diversidade de espécies de alguns grupos taxonômicos, a presença e abundância de (meta) populações florestais, segundo sua sensibilidade à fragmentação; 3) investigar os processos ecológicos que determinam a manutenção de (meta) populações, particularmente aqueles relacionados à influência da matriz circundante e da conectividade florestal. Esses objetivos cumprem os requisitos do Programa Biota-FAPESP. O plano do projeto inclui oito subprojetos tratando das mesmas paisagens e grupos de fragmentos florestais, com objetivos complementares. Propomos uma abordagem que envolve uma análise de múltipla escala, em que serão focados a paisagem toda e os fragmentos, detalhando os efeitos na matriz e no corredor; serão realizados estudos dos níveis de população e de comunidade, em que uma ampla gama de táxons será examinada (plantas florestais, primatas, pássaros); espécies guarda-chuva e processoschave que podem manter uma alta biodiversidade serão procurados. Diferentes teorias de ecologia de paisagens serão testadas e parâmetros da estrutura espacial da paisagem e da qualidade do habitat serão integrados a modelos metapopulacionais, particularmente ao modelo de função incidente. Para compreender a estrutura de paisagem existente e sua história de fragmentação e regeneração, dois tipos de paisagens serão distinguidos: um formado por uma matriz florestal e outro por uma matriz agrícola. Eles serão caracterizados considerando-se: 1) conectividade e heterogeneidade de paisagem, fragmentação e isolamento florestal (subprojeto 1); 2) características geomorfológicas e pedológicas e principais geoindicadores físicos para medir a magnitude e a velocidade de processos abióticos decisivos (subprojeto 2). Cada fragmento será caracterizado por: 1) tamanho; 2) heterogeneidade das ecounidades florestais; 3) qualidade do meio ambiente interno e heterogeneidade das ecounidades; 4) efeitos de forma e de bordas; 5) complexidade de limite; 6) grau de isolamento e conectividade e o potencial para (re)colonização; 7) idade e história da regeneração, obtidas pela análise de fotografias aéreas de 1962, 1973 e 1988 (subprojetos 1 e 3). Para relacionar padrões de biodiversidade com tamanho de fragmento florestal e tipo de matriz, 12 fragmentos serão estudados detalhadamente, com respeito a: 1) composição e diversidade de espécies de árvores adultas (subprojeto 3); 2) composição e diversidade de mudas e árvores novas (subprojeto 7); 3) a abundância de seis espécies de pássaros (subprojeto 6); 4) a biomassa e densidade de primatas (subprojeto 5). A influência de matrizes e corredores em fluxos de sementes (subprojeto 8), regeneração florestal (subprojeto 7) e movimento de espécies selecionadas de pássaros (subprojeto 6) serão analisadas mais detalhadamente, na abordagem de um número reduzido de fragmentos. O tamanho e a conectividade de fragmentos também serão relacionados a padrões de ocupação potencial de fragmentos para a (re)colonização, trabalhando com paisagens de alta e baixa exigências, bem como com os tipos de paisagens que só suportam espécies de baixa exigência. Aqui, 50 a 60 fragmentos serão considerados, de 4- 5 hectares (ha) a 90 ha, cerca da metade com matriz agrícola. Inicialmente, os seguintes organismos terão seus padrões de ocupação de fragmento considerados: 1) seis espécies de pássaros (subprojeto 6); 2) uma espécie de palmeira endêmica (subprojeto 4); 3) várias espécies de árvores (subprojeto 3). A comparação desses dois grupos de fragmentos em termos de tamanho, qualidade ambiental (subprojeto 3) e atributos espaciais (isolamento, conectividade, tipo de matriz) (subprojeto 1) deve indicar os fatores que ditam a permanência de uma dada espécie na paisagem. Modelos de função incidente serão aplicados para analisar padrões de ocupação de segmento e simular a ocorrência da espécie em diferentes cenários da evolução da paisagem. Essa abordagem nos permitirá identificar as melhores condições de fragmento para manter as espécies na paisagem numa base de longo prazo, supondo que elas se comportem como uma metapopulação, fornecendo uma base ecológica direta para a gestão da conservação de fragmentos de floresta tropical. Um dos principais resultados do projeto proposto será a geração de uma base de dados com informações especializadas sobre a fisiografia regional, a estrutura e dinâmica de flora e paisagem regionais, além de divulgação em publicações especializadas, artigos de difusão, material multimídia como CDROM e base de dados on-line e um guia sobre espécies florestais regionais, direcionado para não especialistas, em particular, crianças de escolas públicas regionais. (AU)
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