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Alfredo Andersen, um norueguês nos trópicos: a trajetória de um pintor moderno

Processo: 07/00374-7
Linha de fomento:Bolsas no Brasil - Doutorado
Vigência (Início): 01 de julho de 2007
Vigência (Término): 30 de junho de 2011
Área do conhecimento:Ciências Humanas - Sociologia - Outras Sociologias Específicas
Pesquisador responsável:Leopoldo Garcia Pinto Waizbort
Beneficiário:Amélia Siegel Corrêa
Instituição-sede: Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH). Universidade de São Paulo (USP). São Paulo , SP, Brasil
Assunto(s):Pintores de obras   Sociologia da arte

Resumo

O pintor norueguês Alfredo Andersen (1860-1935) chegou a Paranaguá no início da década de 1890, devido a um problema no navio que o levaria a Buenos Aires. Por motivos desconhecidos, permaneceu na cidade durante uma década, pintando paisagens e retratando as elites locais. Na sequência, mudou-se para Curitiba, onde criou uma escola e a primeira geração de pintores locais, tornando-se o pai da pintura paranaense. A presente pesquisa de doutorado tem como objeto esse artista plástico norueguês radicado no Paraná, sendo sua vida e sua obra os elementos principais de análise sociológica, que buscará apreender de que modo o artista e sua produção se posicionaram no meio cultural local, entre as ambivalências e discrepâncias da sua experiência. O Paraná era um terreno virgem para a fixação de uma tendência artística, afinal não havia na cena local qualquer artista que se comparasse a Andersen em termos de bagagem cultural e técnicas de pintura. Para realizar o estudo da sua trajetória, os referenciais teóricos escolhidos, provenientes de Simmel e Elias, privilegiarão a noção de interações mútuas, redes de interdependência, além das categorias de estrangeiro e outsider. A virada do século XIX para o XX no Paraná foi marcada por profundas transformações sócio- econômicas, viabilizadas pela exploração da erva-mate em grande escala para a exportação, que resultou num processo de intensa modernização da capital, Curitiba. Foi nesse contexto que Andersen chegou a Curitiba, viabilizando, no plano simbólico das artes plásticas, a consolidação das elites luso-brasileiras vinculadas à erva-mate, ou paranistas. No entanto, a aproximação com o objeto despertou outras questões para a pesquisa, incluindo as origens norueguesas do pintor e sua inserção naquele contexto social; afinal, o pintor chegou ao Paraná com 30 anos. Nesse sentido, esse projeto, além de propor um novo olhar, sociológico, sobre este objeto, tem sua singularidade no interesse pelo estudo das redes de interdependência no contexto europeu do final do século XIX, posto que os demais trabalhos sobre Andersen não tiveram tal objetivo. Segundo seus dados biográficos, exercia a profissão de pintor desde jovem; estudou com pintores noruegueses e dinamarqueses, participou de salões de belas artes e estudou técnicas de retrato na Inglaterra. Devido à profissão de seu pai, comandante de navio, teve cedo a oportunidade de conhecer o novo mundo, tornando-se um viajante moderno, aspecto que alterou sua sensibilidade artística e que o trouxe a Paranaguá. Por isso, buscar-se-á tratar da vida de Andersen como um todo, o que justifica o estudo da estrutura social em que formou sua individualidade e construiu sua formação estética, ângulo negligenciado pelos estudos existentes. Além disso, a pesquisa tratará da sua produção pictórica, entendida como símbolos diversos e relacionada aos vários momentos da sua trajetória. Grande parte do mapeamento de fontes para essa pesquisa no Paraná já foi realizado junto ao Museu Alfredo Andersen em Curitiba, além de diversas outras instituições vinculadas à conservação da memória do estado como: Biblioteca Pública, Arquivo Público, Casa da Memória, Círculo de Estudos Bandeirantes, Museu Paranaense, etc. Para a apreensão das suas redes e interações na Noruega, será necessário buscar fontes e dados sobre sua família, a cidade em que nasceu, as academias em que estudou, além de aprofundar as referenciais sobre os movimentos artísticos noruegueses do final do XIX. Os locais específicos para a pesquisa ainda não foram determinados, mas certamente incluem bibliotecas, arquivos e museus da sua cidade natal e de Oslo. Para realizar tal empreitada, conto com o apoio do bisneto do pintor, residente em Curitiba e Presidente da Sociedade Amigos de Alfredo Andersen, que possui uma boa rede de relações com os familiares na Noruega. (AU)

Matéria(s) publicada(s) na Agência FAPESP sobre a bolsa:
O norueguês caboclo 

Publicações acadêmicas
(Referências obtidas automaticamente das Instituições de Ensino e Pesquisa do Estado de São Paulo)
CORRÊA, Amélia Siegel. Alfredo Andersen (1860 - 1935): retratos e paisagens de um norueguês cabloco. 2012. Tese de Doutorado - Universidade de São Paulo (USP). Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas São Paulo.

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