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Semelhanças e diferenças entre canto e fala na música de câmara brasileira

Processo: 08/10036-4
Linha de fomento:Bolsas no Brasil - Doutorado
Vigência (Início): 01 de abril de 2009
Vigência (Término): 31 de março de 2011
Área do conhecimento:Linguística, Letras e Artes - Linguística
Pesquisador responsável:Eleonora Cavalcante Albano
Beneficiário:Antonio Carlos Silvano Pessotti
Instituição-sede: Instituto de Estudos da Linguagem (IEL). Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). Campinas , SP, Brasil
Assunto(s):Linguagem   Canto   Música de câmara   Prosódia   Sociolinguística   Fonética experimental

Resumo

Este trabalho visa testar hipóteses sobre semelhanças e diferenças fonéticas entre produção cantada e falada, com foco na música de câmara brasileira, e hipóteses embasadas em trabalho anterior (Pessotti, 2007) sobre a realização fonética da fala e do canto dentro dos domínios prosódicos. A pesquisa, de ordem interdisciplinar, trabalhará com as seguintes hipóteses: a) a inteligibilidade do texto cantado está relacionada à acuidade da execução rítmica e melódica, e baseia-se em fatos notados na performance cantada; b) a inteligibilidade, correlacionada com a acuidade, exige ajuste na produção segmental, e refere-se ao conforto de produção e inteligibilidade da mensagem, procurada pelo intérprete, fatores que possivelmente estão relacionados a eventos articulatórios da produção da fala; c) tais ajustes transcendem o canto e revertem sobre a produção falada, produzindo possível "sotaque profissional" na fala, e refere-se ao contexto articulatório produzido pelo intérprete, como indício de aprimoramento técnico (proficiência) ou de transferência gestual da produção cantada para a falada, semelhante ao que acontece na aquisição de segunda língua por aprendizado com canções e facilitada pela prática do canto (Slevc e Myiake, 2006).No mestrado (Pessotti, 2007), realizei a análise dos dados produzidos por cinco cantoras, sopranos profissionais (JC, SSC, AVL, DFL e EA, sendo JC a cantora que estudou na Itália e SSC aquela que estudou a técnica italiana no Brasil). Elas cantaram sem acompanhamento (a capella) e declamaram o texto da primeira parte da canção Cantiga de Ninar (Francisco Mignone). A hipótese inicial baseava-se na observação que os intérpretes fazem da manipulação dos níveis prosódicos como marcadores de estilo, pessoal ou de escola. Tal transferência, advinda da formação do intérprete, deveria ser notada, a priori, na variabilidade da duração e da entoação das hierarquias prosódicas. Observou-se que as informantes alinharam ritmo e entoação da produção cantada com delimitação prosódica semelhante à falada. A variação dos limites prosódicos, na fala e no canto, juntamente com a descrição detalhada das realizações referentes ao ritmo e a duração, marcaram possível estilo pessoal ou estilo de grupo (escola). O uso do modelo linear misto (MLM) nas análises estatísticas corroborou o enfoque de alguns modelos fonológicos, como a Fonologia Prosódica (Nespor e Vogel, 1986) e a Fonologia Acústico-Articulatória (Albano, 2001). A metodologia de aquisição dos corpora e análise será a mesma (Pessotti, 2007). Eles serão compostos da canção selecionada, Conselhos (Carlos Gomes), que será lida e cantada por 15 informantes (sopranos), além de entrevista planejada, dentro dos princípios labovianos (Labov, 1972), sendo as informantes, a princípio, cinco proficientes, cinco não totalmente proficientes e cinco leigas, sem formação musical, com a gravação cantada feita apenas pelas cantoras, cinco vezes sem acompanhamento (a capella), para permitir avaliar se as informantes se alinham ao acompanhamento implícito na partitura, ou mantêm afinação e ritmo independentes dessa influência. Os resultados esperados: a) com corpora maiores, as observações realizadas no trabalho de mestrado serão melhor consolidadas; b) a introdução de informantes leigas permite investigar se a formação musical tem influência na produção do alinhamento rítmico-melódico textual (Schön et col, 2004), além da observação dos espaços vocálicos dessas não-cantoras, cuja variabilidade pode ter diferença significativa, se comparada às profissionais; c) se houver influência de possível "sotaque profissional" na produção falada em relação ao cantar, essa será melhor avaliada com corpora maior, pois os contextos serão expandidos: canto, fala, entrevista e comparação com as não-cantoras; d) pretende-se detectar semelhanças e diferenças nas produções (canto e fala), processos de transferência entre elas e fenômenos que restringem a interpretação da música de câmara brasileira. (AU)

Publicações acadêmicas
(Referências obtidas automaticamente das Instituições de Ensino e Pesquisa do Estado de São Paulo)
PESSOTTI, Antonio Carlos Silvano. Efeitos do treinamento e da prática vocal profissional sobre o canto e a fala. 2012. Tese de Doutorado - Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). Instituto de Estudos da Linguagem.

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