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Biodiversidade e distribuição das diatomáceas planctônicas e de sedimento superficial em represa profunda oligotrófica (Sistema Cantareira, represa Jaguari-Jacareí)

Processo: 09/11731-0
Linha de fomento:Bolsas no Brasil - Mestrado
Vigência (Início): 01 de março de 2010
Vigência (Término): 29 de fevereiro de 2012
Área do conhecimento:Ciências Biológicas - Ecologia - Ecologia de Ecossistemas
Pesquisador responsável:Denise de Campos Bicudo
Beneficiário:Majoi de Novaes Nascimento
Instituição-sede: Instituto de Botânica. Secretaria do Meio Ambiente (São Paulo - Estado). São Paulo , SP, Brasil
Assunto(s):Eutrofização   Perifiton   Fitoplâncton   Sedimentos   Diatomáceas   Limnologia

Resumo

Este estudo visou avaliar a biodiversidade e distribuição temporal e espacial das diatomáceas planctônicas e presentes nos sedimentos superficiais da represa Jaguari-Jacareí (Sistema Cantareira), visando contribuir para a caracterização da qualidade ecológica do maior manancial abastecedor da RMSP. Visou também ampliar o conhecimento ecológico das diatomáceas de represas tropicais. Foram realizadas amostragens em nove locais próximos aos de monitoramento da SABESP. A amostragem da água foi realizada ao longo de perfil vertical nos períodos de inverno e verão; e a de sedimentos superficiais, no inverno. As análises incluíram variáveis físicas, químicas e de diatomáceas da água e do sedimento. Foram encontrados 62 táxons específicos e infraespecíficos no plâncton e 65, no sedimento. A organização estrutural das diatomáceas planctônicas foi influenciada pela escala sazonal, seguida pela espacial. No período de inverno, a circulação da água favoreceu espécies de Aulacoseira (A. granulata, A. granulata var. angustissima e A. ambigua). No período de verão, espécies planctônicas cêntricas diminutas (Thalassiosira rudis, Discostella pseudostelligera e Cyclotella meneghinana) foram favorecidas pelo regime de estratificação e pelas elevadas temperaturas da água. Verificou-se influência dos tributários na organização da comunidade devido a fatores físicos (turbulência e turbidez), favorecendo as espécies cêntricas (A. granulata var. granulata, A. granulata var. angustissima, A. ambigua e T. rudis). A distribuição das espécies no sedimento foi principalmente sensível aos tributários e à profundidade da represa. Nas estações próximas às zonas de rio predominaram representantes bentônicos (Diadesmis contenta, Encyonema silesiacum, Gomphonema parvulum, Navicula cryptocephala e Luticola acidoclinata), e, nas mais profundas, espécies de hábito planctônico (Aulacoseira tenella, A. ambigua, A. granulata var. granulata, A. granulata var. angustissima, Cyclotella meneghiniana, Discostella pseudostelligera e Thalassiosira rudis). Confirma-se o papel integrador dos sedimentos, demonstrando a dominância do hábitat pelágico na represa e de representantes bentônicos apenas nos locais mais rasos e próximos aos tributários. A comparação entre as comunidades planctônicas e presente nos sedimentos revelou que o compartimento dos sedimentos integra informações de ambos os períodos climáticos. Amplia-se o conhecimento ecológico de duas espécies pouco conhecidas: Achnanthidium catenatum e Aulacoseira tenella, respectivamente indicadora de alterações ambientais não associadas à eutrofização e de ambientes não degradados. A represa Jaguari-Jacareí foi classificada como ultra-oligotrófica a oligotrófica, exceto aos locais que recebem influência dos rios Jaguari e Jacareí, classificados como mesotróficos, e que sinalizam um processo de eutrofização. Salienta-se a necessidade de ações urgentes para controlar o aporte de nutrientes oriundos das cidades que fazem parte das bacias dos rios Jaguari e Jacareí (principalmente do último) que podem colocar em risco o maior manancial da RMSP.