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Rastros da literatura policial na produção literária latino-americana: Machado, Borges e Bolaño

Processo: 09/12949-0
Linha de fomento:Bolsas no Brasil - Mestrado
Vigência (Início): 01 de março de 2010
Vigência (Término): 29 de fevereiro de 2012
Área do conhecimento:Linguística, Letras e Artes - Letras - Literatura Comparada
Pesquisador responsável:Marcos Piason Natali
Beneficiário:Raquel Vieira Parrine Santana
Instituição-sede: Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH). Universidade de São Paulo (USP). São Paulo , SP, Brasil
Assunto(s):Machado de Assis

Resumo

A literatura policial tem sido alvo de indiferença por parte da crítica literária brasileira. Entretanto, o quadro não é o mesmo em todas as partes do mundo, em especial nos países em que este gênero floresceu e nos que encontrou ilustres adeptos - como é o caso da Argentina. Estando entre os gêneros literários mais populares do mundo, sua influência tem uma dimensão muito maior do que a da própria crítica. Neste projeto, o intuito será, então, estudar algumas das contribuições que o gênero deu, direta ou indiretamente, para a literatura do continente, especialmente nas obras de Machado, Borges e Bolaño. No caso do primeiro, o impacto da teoria do conto formada por Edgar Allan Poe, também criador do policial, nos leva a crer que essa energia precursora percorreu também a obra do Bruxo do Cosme Velho, particularmente em contos como "A causa secreta", "A cartomante" e "O relógio de ouro". Anacronicamente, também podemos antecipar nela alguns dos princípios que irão reger o policial analítico durante toda a sua propagação. Em Borges, a relação é certamente mais óbvia, sendo ele inclusive escritor de policial. Entretanto, há um lastro de policial em toda a sua obra, ilustrado aqui sobretudo através da análise do conto "El jardín de senderos que se bifurcan". No final, Bolaño, grande leitor de Borges, considera o policial como lastro de toda a narrativa, na busca pela verdade. Em seu romance Los detectives salvajes a influência do gênero já se comprova pelo título. Menos rebuscada talvez seja a contribuição dos debates do policial no século XXI, particularmente o questionamento da detecção como forma de conhecimento, no seu conto "William Burnes". A aproximação desses autores pretende revelar conexões veladas pelas barreiras estéticas e linguísticas que tendem a isolar o Brasil da produção do continente.