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Biodiversidade e distribuição das diatomáceas planctônicas e de sedimento superficial nas represas de abastecimento do sistema alto Cotia (SP)

Processo: 10/04445-9
Linha de fomento:Bolsas no Brasil - Mestrado
Vigência (Início): 01 de agosto de 2010
Vigência (Término): 29 de fevereiro de 2012
Área do conhecimento:Ciências Biológicas - Ecologia - Ecologia de Ecossistemas
Pesquisador responsável:Denise de Campos Bicudo
Beneficiário:Pryscilla Denise Almeida da Silva
Instituição-sede: Instituto de Botânica. Secretaria do Meio Ambiente (São Paulo - Estado). São Paulo , SP, Brasil
Assunto(s):Limnologia   Diatomáceas   Fitoplâncton

Resumo

Este estudo visou avaliar a biodiversidade e a distribuição temporal e espacial das diatomáceas planctônicas e presentes nos sedimentos superficiais das represas de abastecimento do Sistema Alto Cotia (represas Pedro Beicht e Cachoeira da Graça), contribuindo para a caracterização da qualidade ecológica destes ecossistemas. Objetivou, também, ampliar o conhecimento ecológico das diatomáceas de represas tropicais com baixo impacto antropogênico. Este sistema produtor está inserido na Reserva Florestal do Morro Grande (RFMG) e é considerado referência ambiental para a Região Metropolitana de São Paulo (RMSP). Foram realizadas amostragem em sete estações (cinco na represa Pedro Beicht e duas em Cachoeira da Graça). A coleta da água foi realizada ao longo do perfil vertical nos períodos de inverno (seco) e verão (chuvoso); e a de sedimentos superficiais, no inverno. As análises incluíram variáveis físicas, químicas e de diatomáceas planctônicas e do sedimento. As represas foram classificadas como mesotróficas, sendo caracterizadas por águas levemente ácidas, de baixa condutividade, baixos teores de nutrientes e de clorofila-a. As características geoquímicas dos sedimentos recentes (2 cm, ~3,7 anos) demonstram elevado teor de matéria orgânica de origem vegetal vascular alóctone. Conjuntamente, tais características sinalizam um processo natural de eutrofização. Foram encontrados 63 táxons específicos e infraespecíficos no plâncton e 98 no sedimento. A organização estrutural das diatomáceas planctônicas foi influenciada pela escala sazonal, bem como pela profundidade das represas. No período de inverno e, principalmente, nos locais mais profundos, três espécies de Aulacoseira foram favorecidas pelo regime de mistura. No período de verão e nas regiões mais rasas, a comunidade foi mais diversificada, com maior abundância de espécies bentônicas (Brachysira brebissonii, B. neoxilis, Navicula herbstiae, Stenopterobia delicatissima e S. curvula). Duas espécies de Aulacoseira (A. granulata e A. ambigua) foram amplamente distribuídas e bem representadas nas represas, indicando ambientes turbulentos e com circulação de água. A distribuição das espécies no sedimento foi principalmente sensível à profundidade das represas. Espécies de Aulacoseira contribuíram com 21 a 47% da abundância, enquanto que várias espécies de Eunotia contribuíram com no máximo 25%. A comparação entre as diatomáceas planctônicas e as presentes nos sedimentos destaca que o compartimento dos sedimentos integra informações de ambos os períodos climáticos e de elementos planctônicos e bentônicos. As comunidades de diatomáceas reforçam as características de ambientes ainda com baixo impacto antropogênico e sem processo cultural de eutrofização. Todavia, recomenda-se um monitoramento mais intensivo e detalhado no ponto de captação da represa Pedro Beicht, que já apresenta teores elevados de biomassa fitoplanctônica no período de verão. Finalmente, destaca-se a importância da RFMG para a manutenção da qualidade ecológica das represas e de condições de referência para os mananciais da RMSP.