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Alexandre Eulalio - uma personalidade da cultura brasileira

Processo: 10/51862-4
Linha de fomento:Bolsas no Brasil - Pós-Doutorado
Vigência (Início): 01 de dezembro de 2010
Vigência (Término): 30 de novembro de 2012
Área do conhecimento:Linguística, Letras e Artes - Letras - Teoria Literária
Pesquisador responsável:Maria Augusta Bernardes Fonseca
Beneficiário:Francisco Roberto Papaterra Limongi Mariutti
Instituição-sede: Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH). Universidade de São Paulo (USP). São Paulo , SP, Brasil
Assunto(s):Estudos interdisciplinares

Resumo

O problema a enfrentar é a constituição da personalidade intelectual - crítica e criadora - de Alexandre Eulalio (adiante AE). O período compreendido pela morte de Jorge de Lima, em 1953, que o instigou a escrever um artigo admirável, e pelo golpe de 1964, que mudou o rumo da nação e de sua obra, correspondeu a grande riqueza no campo da cultura, cujo centro era o Rio de Janeiro. Bossa Nova, Cinema Novo, Grande Sertão: Veredas, Poesia Concreta, Formação da Literatura Brasileira, método Paulo Freire foram contemporâneos de uma aguda, consistente e bem informada crítica literária. Augusto Meyer, Carpeaux, Roberto Alvim Corrêa, Mário Faustino, Merquior e AE freqüentavam os jornais cariocas naquele período e, independente de trabalharem ou não na academia, transpunham seus muros para dialogar com um público amplo, mas não ignoravam os princípios de exigência e rigor. Esse ambiente, e a inserção de AE nele, será objeto da primeira parte; a segunda abordará um conjunto significativo - não a totalidade - da obra de AE, organizada de acordo com suas configurações internas, isto é, centrada no concurso de vários saberes e expressões artísticas voltados para a compreensão de fenômenos culturais, por sua vez circunscritos pela história. Um capítulo dessa parte abordará os projetos inconclusos de AE, de grande interesse para definir a personalidade acima indicada. A parte final tratará do método eulaliano de combinar imaginação, objetividade, gosto pessoal e visada analítica, assim como tentar responder a outras questões que aflorarem no percurso do trabalho. 2. Introdução e justificativa: relevância da obra de Alexandre Eulálio Há vinte e um anos, no primeiro semestre de 1989, numa aula de um curso de pós-graduação, mesma época em que ocorria uma série de eventos em homenagem a Alexandre Eulalio Pimenta da Cunha (1932-1988) na Unicamp, Roberto Schwarz relatou o modo e as circunstâncias do primeiro contato entre ambos: no Congresso de Crítica Literária de Assis, em 1961, em meio a uma discussão sobre Barroco; AE procurou intervir, mas foi impedido pelo congestionamento de idéias que lhe ocorreram sobre tema tão caro e próximo. O autor de Um mestre na periferia do capitalismo convenceu-se naquele momento do debate de que estava diante de um indivíduo singular, um ser único, com mil reflexões e inquietudes em torno de cada tema, e não de um pobre mortal comum, como nós aqui nesta sala de aula, que nos contentamos em conhecer uma ou outra coisa a respeito disso e daquilo. Aquele congestionamento foi acompanhado de um gesto incrível: de pé, a mão levantada, o corpo teso, clima de tensão e estranhamento, nenhuma palavra articulada, ainda que uma porção delas estivesse na ponta da língua; por fim, como que reconhecendo uma impossibilidade concreta, à volta. (AU)