Busca avançada
Ano de início
Entree

Desamparo e onipotência na juventude contemporânea: um estudo sobre a drogadicção e seus desafios para a clínica psicanalítica

Processo: 10/14989-6
Linha de fomento:Bolsas no Brasil - Pós-Doutorado
Vigência (Início): 01 de janeiro de 2011
Vigência (Término): 31 de dezembro de 2013
Área do conhecimento:Ciências Humanas - Psicologia - Tratamento e Prevenção Psicológica
Pesquisador responsável:Luis Claudio Mendonca Figueiredo
Beneficiário:Bianca Bergamo de Andrade Savietto
Instituição-sede: Instituto de Psicologia (IP). Universidade de São Paulo (USP). São Paulo , SP, Brasil
Assunto(s):Psicanálise   Clínica psicanalítica   Transtornos relacionados ao uso de substâncias   Desamparo   Onipotência   Jovens

Resumo

Este projeto de pesquisa enfoca um modo de uso específico de substâncias tóxicas por parte dos jovens da contemporaneidade: o uso adictivo. Nesse sentido, é importante notar que nem todo uso dessas substâncias conduz ao estabelecimento de uma conduta adictiva, de forma que quando falamos seja de drogadicção, seja de toxicomania, seja de abuso de substâncias tóxicas, etc. estamos falando de um modo de uso patológico e de uma patologia situada dentro do campo mais amplo das adicções. Situada nesse campo, a drogadicção possui um aspecto que se constitui como central: o da dependência patológica. Partindo, portanto, do exame da questão da dependência patológica, desenvolvemos uma reflexão sobre os vínculos na família do jovem drogadicto contemporâneo, assim como uma análise acerca de uma tentativa de resposta que apela para o fechamento narcísico, a fim de destacar os aspectos do desamparo e da onipotência que julgamos merecer especial atenção no que diz respeito à disseminação da problemática da drogadicção na juventude dos dias atuais. As relações entre o eu e o outro (interno / externo) ganham relevo na apreciação da questão da dependência patológica, e nos incitam a interrogar algumas implicações inerentes ao âmbito transferencial da clínica psicanalítica: qual seria o lugar do analista numa dinâmica em que o sujeito transfere uma dependência patológica ao objeto interno para uma dependência também patológica à droga? Que tipo de aliança o analista deve, aí, estabelecer com o paciente? Passando aos elementos concernentes à família dos jovens drogadictos da atualidade que concorrem para o estabelecimento de uma dependência patológica, abordamos a temática dos ideais, buscando demonstrar que quando o movimento sublimatório não dá conta de promover mudanças nos vínculos primários, obstaculiza-se a abertura das vias de identificação, comprometendo-se a introjeção dos objetos primordiais. Insistindo, então, em dominar a cena, a idealização põe em jogo a substituição da identificação com o objeto pela permanência dele numa posição "exteriorizada". Se a identificação permite a apropriação dos objetos parentais, a não modificação dos vínculos primários pela sublimação e a persistência da idealização mantêm a situação de desamparo da infância, na qual o sujeito se acha na completa dependência do outro parental. Logo, desamparo e dependência assumem destaque no bojo desta reflexão sobre aspectos ligados aos vínculos familiares dos jovens toxicômanos contemporâneos, e nos encaminham para aquilo que, de modo privilegiado, pensamos estar envolvido no recurso ao abuso de substâncias tóxicas por parte desses jovens: a busca de refúgio no registro absoluto da onipotência. Procuramos, finalmente, mostrar que ao tentar organizar um circuito vedado e circular por meio da intoxicação pela droga, a fim de escapar da intrusão de um outro interno alienante e "intoxicante", tais jovens são, novamente, conduzidos à dependência patológica e à alienação, uma vez que estas nunca se ausentam do registro absoluto da onipotência. Neste registro em que a crença ilusória em uma plenitude narcísica sobressai, a esperança como princípio não encontra lugar, sendo indispensável um trabalho clínico que permita que ela venha a se instalar. Sendo assim, questionamos: como, na e pela transferência, abrir espaço para a instalação da esperança-princípio na vida psíquica? Diante dos desafios impostos pela "desesperança congênita" - sob a qual, no âmbito interno, subjaz um traumático desestruturante e a prevalência de elementos não-representáveis, e que, na situação clínica, provoca desastrosas conseqüências terapêuticas - indagamos ainda: no que consiste um trabalho clínico que abarque certa noção de "clínica ampliada"?

Matéria(s) publicada(s) na Agência FAPESP sobre a bolsa:
Matéria(s) publicada(s) em Outras Mídias (0 total):
Mais itensMenos itens
VEICULO: TITULO (DATA)
VEICULO: TITULO (DATA)