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Sócrates, política e filosofia em Hannah Arendt

Processo: 10/14687-0
Linha de fomento:Bolsas no Brasil - Mestrado
Vigência (Início): 01 de março de 2011
Vigência (Término): 28 de fevereiro de 2013
Área do conhecimento:Ciências Humanas - Filosofia
Pesquisador responsável:Marilena de Souza Chauí
Beneficiário:Thiago Dias da Silva
Instituição-sede: Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH). Universidade de São Paulo (USP). São Paulo , SP, Brasil
Assunto(s):Modernidade   Filosofia política   Sócrates

Resumo

O objetivo de nossa pesquisa é compreender a figura de Sócrates descrita por Hannah Arendt e, a partir disto, esclarecer certos aspectos da crítica que a autora dirige à modernidade. Sócrates, segundo Arendt, exerce uma atividade política através de sua atividade filosófica, pois ele interpela seus concidadãos a tornarem mais autênticas suas doxai a respeito de assuntos que compõem o que lhes é comum. Para ser possível, esta atividade exige, além do engajamento do próprio Sócrates, um mundo comum aos que conversam e um espaço de discussões. Nela, as diferentes concepções a respeito do koinon emergem através da maiêutica e são submetidas ao crivo do pensamento que, longe de atribuir veracidade ou falsidade à opinião, apenas mostra suas contradições. Ao unir pensamento e política, esta atividade, cremos, reúne as condições para o exercício autêntico daquilo que Arendt entende por política e encontra grandes entraves em nossas tradições política e filosófica.A condenação de Sócrates abre um hiato entre o filósofo e o político, ou seja, entre o pensamento e a ação. Este distanciamento marca profundamente toda a nossa tradição de pensamento político, que é caracterizada por hostilidade mútua entre o pensamento e as relações humanas. A modernidade, que se erige com uma tradição bastante hostil ao que não é redutível ao cálculo, aprofunda a separação e pretende, submetendo o pensamento à ciência e generalizando a postura científica, controlar as relações humanas. Segundo Arendt, a principal marca da modernidade é a alienação do homem com relação ao mundo conseguida pela redução dos homens à atividade infinita e sempre idêntica do trabalho. Reduzido, o homem se confina no comportamento que lhe é atribuído para que sua vida se mantenha e se torna objeto calculável. Adolf Eichmann, tal qual descrito por Arendt, é um exemplo dramático do ser humano típico das sociedades de massas e dos perigos que esta representa.Acreditamos que estas características se devem, em grande medida, à atomização dos homem nas sociedades modernas e, sobretudo, à sua irreflexão induzida pelas condições. Arendt se dedicou a estas questões e o interesse em estudar sua obra decorre da força de suas respostas, na medida em que seus escritos são, cremos, uma defesa do espaço público, da pluralidade e do pensamento, ou, para resumir em um de seus termos mais caros, uma defesa da política. (AU)

Publicações acadêmicas
(Referências obtidas automaticamente das Instituições de Ensino e Pesquisa do Estado de São Paulo)
SILVA, Thiago Dias da. Mal, modernidade e pensamento em Hannah Arendt: Sócrates e Eichmann em perspectiva. 2013. Dissertação de Mestrado - Universidade de São Paulo (USP). Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas São Paulo.

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