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Expressões emocionais de desprazer no primeiro ano de vida: manifestações e processos de transformação

Processo: 10/13328-6
Linha de fomento:Bolsas no Brasil - Mestrado
Vigência (Início): 01 de março de 2011
Vigência (Término): 31 de agosto de 2012
Área do conhecimento:Ciências Humanas - Psicologia - Psicologia do Desenvolvimento Humano
Pesquisador responsável:Katia de Souza Amorim
Beneficiário:Ludmilla Dell Isola Pelegrini de Melo Ferreira
Instituição-sede: Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto (FFCLRP). Universidade de São Paulo (USP). Ribeirão Preto , SP, Brasil
Assunto(s):Psicologia do desenvolvimento   Desenvolvimento infantil   Bebês   Emoções   Expressão facial   Expressão corporal   Expressão vocal

Resumo

A emoção é tema presente em diversas áreas do conhecimento, dentre elas, a Psicologia do Desenvolvimento, na qual Henri Wallon se destaca. Em sua teoria, a expressão emocional é elemento central nos primeiros meses de vida, e propiciaria a constituição do vínculo entre o bebê e os parceiros de interação. A revisão de literatura mostrou diferentes perspectivas teóricas e metodológicas que têm explorado o tema das emoções, cujos resultados, de forma geral, têm apontado a alta capacidade comunicativa e interativa dos bebês a partir das expressões emocionais. No entanto, esses estudos focalizam as expressões faciais, particularmente as positivas, como o sorriso; e não se encontrou trabalhos que investigassem as transformações da emoção durante o primeiro ano de vida; sendo a maioria realizados em laboratórios, com delineamento transversal. Sendo assim, este trabalho tem como objetivo acompanhar as manifestações e o processo de transformação das expressões emocionais de desprazer de um bebê durante o seu primeiro ano de vida, contemplando as diversas formas de manifestação das emoções - faciais, vocais e corporais. As vídeo-gravações utilizadas estão arquivadas no Banco de Imagens do CINDEDI, e são de um bebê que foi filmado em sua residência desde a primeira semana de vida até os doze meses. As gravações foram feitas semanalmente no primeiro semestre e quinzenalmente no segundo, com duração aproximada de uma hora cada. Para a construção do corpus de análise, realizou-se um mapeamento das expressões emocionais de desprazer do bebê e das ações dos parceiros de interação. As categorias para observação e registro dividiram-se em expressões faciais, corporais, vocais e olhar. Para os parceiros de interação, além destas, adicionaram-se as ações direcionadas ao bebê. Para a análise desse material dividiu-se o primeiro ano de vida em quatro trimestres, e selecionou-se um episódio de interação para cada período. A análise possibilitou observar que desde a primeira semana de vida o bebê manifesta articuladamente as expressões faciais, vocais e corporais, para comunicar o seu incômodo. Nos primeiros dois meses de vida, todas as expressões apresentaram valores aproximados de manifestação, mas a partir do terceiro mês, observa-se que a expressão facial apresenta frequências consideravelmente mais baixas do que as vocais e corporais, as quais permanecem em evidência durante todo o primeiro ano. Além disso, a articulação entre as expressões não é aleatória, mas apresenta uma sequência específica, intensificando a manifestação de incômodo ou irritação do bebê: inicia com o movimento corporal, adiciona-se a expressão vocal e, por fim, a facial, sendo que o choro (vocal e facial) é o último recurso utilizado para exprimir o descontentamento. Os parceiros de interação buscam atender e acalmar o bebê através de diversas ações, que também vão se modificando ao longo do tempo, mas a fala constitui o principal recurso. Assim, as expressões do bebê e as ações dos parceiros estão articuladas de tal maneira que as transformações das manifestações emocionais tornam-se cirscunscritas ao contexto e às relações construídas, evidenciando os processos de regulação e atribuição de significado para as expressões de desprazer. Discute-se, portanto, a emoção constituída por um processo biologicamente cultural, e as práticas educativas compondo a matriz social da qual emergem as manifestações emocionais, circunscrevendo as possibilidades de expressão do bebê.