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O visível e o invisível na expressão do corpo-em-arte

Processo: 10/07650-2
Linha de fomento:Bolsas no Brasil - Doutorado
Vigência (Início): 01 de janeiro de 2011
Vigência (Término): 31 de dezembro de 2013
Área do conhecimento:Linguística, Letras e Artes - Artes - Teatro
Pesquisador responsável:Renato Ferracini
Beneficiário:Antonio Flávio Alves Rabelo
Instituição-sede: Instituto de Artes (IA). Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). Campinas , SP, Brasil
Vinculado ao auxílio:08/11568-0 - Memória(s) e pequenas percepções, AP.TEM
Assunto(s):Treinamento

Resumo

Este projeto se propõe a realizar uma investigação estética-conceitual sobre as relações entre visibilidade e invisibilidade no processo criativo do corpo-em-arte. Do ponto de vista conceitual, este projeto se insere num projeto temático desenvolvido pelo LUME - Núcleo Interdisciplinar de Pesquisas Teatrais - UNICAMP sob a coordenação do Prof. Dr. Renato Ferracini e Profa. Dra. Suzi Frankl Sperber, e já financiado pela FAPESP, chamado Memória(s) e pequenas percepções, que se propõe refletir e analisar, em um plano prático-conceitual, a seguinte hipótese: A utilização da memória singular ou coletiva de grupo - enquanto potencializadora de criação de ações-matrizes físico-vocais no contexto poético de criação ficcional e espetacular - passa pela possível ativação conjunta de microações, microafetos e micropercepções acionada por essas mesmas memórias, lançando o ator em uma zona de turbulência não mimética da ação lembrança, mas em fluxo intensivo e em fabulação. Por outro lado, os paradoxos corporais que jogam o atuante no que podemos chamar de Zona de Experiência podem levar à ativação de memórias singulares que também potencializam a zona de turbulência das micropercepções. Essa relação hipoteticamente intrínseca entre memória-micropercepção acontece em uma zona limiar, de fronteira entre visível e invisível que poderíamos chamar de zona de forças, zona pré-sensível, pré-perceptiva, extra-cotidiana ou ainda platô de suspensão da descrença e que demandaria uma reflexão conceitual própria e criativa - não somente fenomenológica, semiótica ou psicológica - baseada em experiências práticas de trabalho. Em sua articulação vertical e estreita com o projeto temático, esse presente projeto de doutoramento tem como objetivo principal (decalcado do projeto, portanto, sub-tema derivado do estudo de memórias e pequenas percepções) trabalhar o conceito de invisibilidade e sua relação intrínseca com as obras de autores teatrais e processos práticos. Assim pretendemos relacionar alguns procedimentos do corpo-em-arte com os conceitos de memória (segundo Bergson e as leituras Deleuzinas desse autor) e de micropercepção (segundo Leibiniz e as redefinições contemporâneas de José Gil). O estudo desta relação se dará em nosso sub-tema específico pela perspectiva das tensões existentes entre a noção de visibilidade e invisibilidade na busca por procedimentos geradores do corpo-em-arte. Esta problematização surgirá a partir do plano conceitual sobre virtual e atual encontrados inicialmente em Pierre Lévy (1996) e Merleau-Ponty (2005), mas também principalmente em Gil (2005), que de certa forma, atualiza e redimensiona o conceito de arte e invisibilidade no terreno contemporâneo partindo de reflexões de Bérgson, Ponty, Leibiniz e Deleuze. Mas é importante destacar que estes conceitos filosóficos serão rebatidos no território das artes cênicas, com escritos de artistas pesquisadores da pedagogia teatral (nas principais obras escritas de Stanislavski, Meyerhold, Grotowski, Barba). Como ponto de expansão e alargamento do escopo do projeto temático (e portanto, a contribuição original desse projeto para além da originalidade vinculada ao temático), os conceitos acima serão atravessados por processos criativos e pesquisas da Cia de artistas internacionais Zecora Ura Theatre Netwok em parceria com Cia inglesa Para-Active. Sobre o treinamento para o corpo, o trabalho de criação e as pesquisas destes dois coletivos de artistas estão fundamentados na experiência da artista Persis-Jade Maravala. A artista se baseia na abertura e projeção do corpo para/no o espaço através da ativação dos seus centros de energia como parte desta busca pela autonomia criativa. Sua abordagem articula e problematiza, do ponto de vista prático, os conceitos e questões deste nosso projeto de doutorado: a invisibilidade experimentada como uma potencia, força ou campo de vibração agenciadora de ações que possam sustentar a presença/organicidade do corpo dos atores/performers.