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Silêncio e arquivo na rede eletrônica: o morto feito (de)vivo

Processo: 11/01395-3
Linha de fomento:Bolsas no Brasil - Doutorado
Vigência (Início): 01 de abril de 2011
Vigência (Término): 31 de março de 2014
Área do conhecimento:Linguística, Letras e Artes - Linguística - Teoria e Análise Lingüística
Pesquisador responsável:Lucília Maria Abrahão e Sousa
Beneficiário:Ane Ribeiro Patti
Instituição-sede: Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto (FFCLRP). Universidade de São Paulo (USP). Ribeirão Preto , SP, Brasil
Assunto(s):Ideologia   Análise do discurso   Silêncio   Sujeito

Resumo

A partir da perspectiva teórico-metodológica da Análise do Discurso de linha francesa, trazemos à tona o entrelaçamento do sujeito, com a historicidade e os atravessamentos movediços na linguagem: Ideologia e Inconsciente fazem do sujeito um sujeito discursivo, não somente um indivíduo empírico, mas um sujeito da linguagem, portanto, dividido, errante, plural, capaz de dar vida ao que não tem e mortificar o que tem, ou é vida. Segundo Freud, o sujeito opera na linguagem (des)colando representações e objeto, ou seja, (des)locando e condensando, faz metáfora e metonímia, fazendo das palavras instâncias porosas e heterogêneas. Apostamos que é pela ideologia que o sujeito encontra evidências de sentido e passa a naturalizá-las e, para isso, há um silenciamento necessário para que os sentidos possam emergir e se encadear de uma determinada forma, e não de outra: assim é possível ao humano "mortificar" o "vivo" e "avivar" o "morto". Nos interessa, a partir deste projeto, investigar sobre um sítio discursivo que inscreve a criança-boneco (reborn-babies) feito (de) vivo, em que o morto é discursivisado de vivo, é (re)vestido de vivo, é inscrito no social (tra)vestido como um vivo. Este fenômeno dos "reborn babies" faz falar vozes na cultura contemporânea que nos instigam a interpretar, a resgatar a historicidade, e a escutar as discursividades particulares deste sítio discursivo. Colocamos em questão: quais sentidos são construídos através desta prática dos "cuidadores" de "reborns babies"? O que se coloca em termos de não-ditos com os ditos sobre os reborns, sobre a prática social que se estabelece ao se cuidar de um reborn? O que isso significa em nossa modernidade? Podemos tomar como um novo sintoma representativo de algumas mulheres em nossa cultura? Desde quando e onde esta prática tem sido difundida, naturalizada? Qual é a historicidade que embasa esta nova "prática"? Como a infância é falada neste contexto do brincar de bonecas? Existiria um limite que separa o brincar e a realidade? Como o brincar/cuidar é discursivisado na linguagem destas "reborneiras"? Haveria um apagamento da alteridade, e portanto, um silenciamento da criança de fato? Quais características emergentes em uma FD e como esta se articula às condições em que o discurso é produzido? Estas e outras perguntas poderão servir de mote investigativo para nossa pesquisa a fim de alcançar nossos objetivos específicos para este trabalho, a saber: discutir alguns conceitos teóricos da AD entrelaçados a um corpus de pesquisa, que se inicia com um projeto de doutorado, perpassando pelo silêncio, que é alçado a conceito, posto a trabalhar/ser trabalhado, tomado como componente dos processos de significação; arquivo, tomado em lato sensu (Arquivo e arquivos) e o sujeito, aqui compreendido como posição no discurso e como efeito de linguagem e não como indivíduo empírico ou pessoa. E ainda, identificar como essas concepções ressoam nos discursos das reborneiras, da mídia (nas vozes de jornalistas, escritores) e de alguns profissionais psis (Psicólogos, Psicanalistas, Psiquiatras) que se posicionam a respeito do tema (em discursos coletados na mídia).

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