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Representações do grotesco, do horror e da violência nos filmes pornôs brasileiros dos anos 1980.

Processo: 10/18787-9
Linha de fomento:Bolsas no Brasil - Pós-Doutorado
Vigência (Início): 01 de abril de 2011
Vigência (Término): 31 de março de 2014
Área do conhecimento:Linguística, Letras e Artes - Artes - Cinema
Pesquisador responsável:Rogerio Ferraraz
Beneficiário:Lucio de Franciscis dos Reis Piedade
Instituição-sede: Pró-Reitoria Acadêmica. Universidade Anhembi Morumbi (UAM). Instituto Superior de Comunicação Publicitária (ISCP). São Paulo , SP, Brasil
Assunto(s):Grotesco   Cinema brasileiro   Pornografia   Violência

Resumo

A pesquisa propõe o estudo da exploração dos campos do grotesco e do horror na cinematografia pornô brasileira dos anos 1980. Trata-se de um universo desprestigiado e ignorado, tanto na crítica quanto nos estudos de cinema, no qual representações do extravagante e do bizarro configuram um mundo ao revés, construído pela apropriação e transfiguração de formas narrativas, convenções e paradigmas. Nesse tipo de produção, a representação do abjeto e do escatológico é privilegiada, tal como ocorre na vertente de construção narrativa que tem seus antecedentes ainda no início dos anos 1960 com José Mojica Marins. Além disso, encontra campo fértil nos cineastas do chamado Cinema Marginal e fica evidente em parte da produção aglutinada sob a abrangente denominação de pornochanchada. Historicamente, foi durante a fase do sexo explícito, após a liberação da pornografia na primeira metade da década de 1980, que o grotesco extremado aliado ao horror, se fez mais presente no cinema, resultando na ultrapassagem dos limites da perversão, com aberrações, escatologia, sexo bizarro, violência, representações de estupros e cenas sangrentas. O trabalho tem como objetivo refazer de modo crítico essa trajetória, atuando no campo da pesquisa histórica do audiovisual no país. Nesse território, será colocado em pauta o modo como essas representações foram aparecendo nos filmes, relacionadas ao contexto cultural correspondente e às histórias de seus protagonistas: produtores, diretores e elenco. Além disso, tentará evidenciar que esse segmento do cinema brasileiro, mais do que simplesmente procurar na exposição do grotesco um incremento nas bilheterias, estava estabelecendo uma forma bastante popular de comunicação com o público. A pesquisa terá como suporte um necessário levantamento de dados em fontes bibliográficas e fílmicas, assim como uma base teórica estabelecida a partir de autores que se debruçaram não somente na área do cinema, como Fernão Ramos, Nuno Abreu, Jairo Ferreira, Bernadette Lyra, Gelson Santana, Luiz Nazário, mas também elaboraram estudos sobre o grotesco em outras áreas do conhecimento como a psicologia, a estética e a sociologia, como Sigmund Freud, Mikhail Bakhtin, Georges Bataille, Oscar Cesarotto, Wolfgang Kayser, Julia Kristeva e Muniz Sodré, entre outros.