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Estudo sobre as funções cognitivas em crianças que sofreram maus-tratos na infância

Processo: 11/12074-3
Linha de fomento:Bolsas no Brasil - Programa Capacitação - Treinamento Técnico
Vigência (Início): 01 de agosto de 2011
Vigência (Término): 30 de abril de 2013
Área do conhecimento:Ciências da Saúde - Medicina - Psiquiatria
Pesquisador responsável:Marcelo Feijó de Mello
Beneficiário:Fabiana Goto
Instituição-sede: Escola Paulista de Medicina (EPM). Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP). Campus São Paulo. São Paulo , SP, Brasil
Vinculado ao auxílio:10/09104-5 - Violência na etiologia de psicopatologia em crianças impacto da violência intencional e social em crianças até 12 anos: fatores de risco, clínicos, endócrinos, genéticos, estruturais e neuropsicológicos, AP.R
Assunto(s):Neuropsicologia   Delitos sexuais   Maus-tratos infantis   Transtornos de estresse pós-traumáticos   Desenvolvimento infantil   Cognição   Prevenção da violência sexual   Crianças

Resumo

Abusos ocorridos durante a infância são conhecidos fatores de risco para o desenvolvimento de doenças mentais, sejam de transtornos mentais de início na própria infância ou até posterioemente na vida adulta. Vários achados científicos demonstram associações entre alterações biológicas com a presença de história de abuso precoce, entre estas: alterações do eixo hipotálamo-pituitária-adrenal (HPA), do sistema nervoso autônomo (SNA), da arquitetura do sono, alterações imunológicas, alterações cerebrais estruturais e funcionais, assim como alterações neuropsicológicas. Ainda certos polimorfismos genéticos parecem conferir uma maior ou menor resiliência do indivíduo aos traumas, mas estes genótipos podem ter também sua expressão modulada através de experiências de afeto, continência e segurança. A relação vincular precoce é protetora dos filhotes e também das crianças, onde a modulação da reação ao estresse pode ser uma chave para o estudo da mesma. Hormônios como a ocitocina (OT) e a arginina-vasopressina (AVP) estão associadas a comportamentos de maternagem e melhor sociabilidade, sendo alvo de pesquisas experimentais. Contudo, muitas questões ainda precisam ser respondidas com relação a etiopatogenia de transtornos mentais associados a presença de eventos traumáticos violentos. Alguns casos desenvolvem transtornos mentais logo em seguida ao evento traumático, outros carregam um risco, que podem estar associado a fatores biológicos como os descritos acima. Alguns estudos sugerem que estas alterações e até mesmo o tipo de transtorno desenvolvido, depende da época na qual os abusos ocorrem, assim como do tipo de abuso, sua freqüência e duração e quem foi o perpetrador. As prevalências de diferentes tipos de violências intencionais (doméstica e sociais - taxas de homicídios, assaltos seqüestros), assim como de transtornos mentais decorrentes destes são elevadas em nosso país, o que torna fundamental o estudo desta relação. Neste estudo exploratório pretendemos estudar o impacto de experiências traumáticas nos diferentes estágios de evolução da criança e qual o efeito de intervenções clínicas usuais (psicofarmacoterapia e psicoterapias indicadas segundo manual de condutas) nos mesmos. Serão avaliadas as primeiras 60 crianças, com idades entre 7 e 12 anos, que procurem o ambulatório do Programa de Atendimento e Pesquisa de Violência. (PROVE), que tenham sido vítimas ou testemunhas de uma violência e/ou abuso, sendo que 40 (casos) apresentam transtorno mental, avaliados através de uma entrevista psiquiátrica semi-estruturada, e 20 (controles) não desenvolveram psicopatologia. Somente serão incluídas crianças que assinaram o termo de assentimento e os que os pais assinaram o termo de consentimento livre e esclarecido previamente aprovados pelo comitê de ética em pesquisa da UNIFESP. Todos serão submetidos a uma avaliação clínica e psicométrica. Serão colhidas amostras de urina e saliva para avaliação do cortisol, melatonina, ocitocina e arginina-vasopressina para avaliar a presença de certos genes candidatos. Todos serão submetidos a uma ressonância magnética cerebral. Um subgrupo de 30 indivíduos (15 casos e 15 controles) escolhidos aleatoriamente, entre nossa amostra, serão submetidos a avaliação neuropsicológica. Os pacientes serão avaliados na entrada e após 12 meses. Os resultados deste estudo poderão nos orientar sobre a prevenção e tratamento dos quadros psiquiátricos relacionados a violência. (AU)