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Preditores de expansão do hematoma e edema cerebral em pacientes com hemorragia intracerebral espontânea

Processo: 11/09336-6
Linha de fomento:Bolsas no Exterior - Pesquisa
Vigência (Início): 15 de setembro de 2011
Vigência (Término): 14 de setembro de 2012
Área do conhecimento:Ciências da Saúde - Medicina - Clínica Médica
Pesquisador responsável:Octávio Marques Pontes-Neto
Beneficiário:Octávio Marques Pontes-Neto
Anfitrião: Steven Mark Greenberg
Instituição-sede: Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP). Universidade de São Paulo (USP). Ribeirão Preto , SP, Brasil
Local de pesquisa : Massachusetts General Hospital, Estados Unidos  
Assunto(s):Acidente vascular cerebral   Hemorragias intracranianas

Resumo

As doenças cerebrovasculares são segunda maior causa de óbito no mundo e a principal causa de incapacidade funcional. A hemorragia intraparenquimatosa cerebral (HIC) é o subtipo de acidente vascular cerebral (AVC) de pior prognóstico. Cerca de 85% dos casos de HIC são atribuídos à hipertensão arterial ou à angiopatia amilóide. Neste contexto, o tratamento da HIC ainda não possui um tratamento cientificamente comprovado. A progressão do efeito de massa, causado pela expansão do hematoma e pela progressão do edema perihematoma, pode levar à deterioração clínica e é um dos alvos terapêuticos. Até 38% dos pacientes com HIC, avaliados precocemente (nas primeiras 3 horas do início dos sintomas) com neuroimagem, apresentam uma expansão significativa do hematoma cerebral em exame subseqüente realizado após 24 horas. Apesar da grande variabilidade na sua definição, alguns estudos indicam que a ocorrência de expansão do hematoma nas primeiras 24 horas aumentaria em pelo menos 3 vezes a chance de evolução óbito ou incapacidade grave. Recentemente, foram descritos pontos de extravasamento de contraste no interior do hematoma (Spot Sign) na angio-tomografia com contraste (AngioTC) de pacientes com HIC aguda. Este achado tem sido identificado como um preditor independente da expansão do hematoma cerebral e de prognóstico nestes pacientes. Apesar disto, ainda existe controvérsia sobre a definição, frequência, e significado clínico do Spot Sign na detecção de expansão do hematoma nos diferentes subtipos de HIC (hipertensiva, associada a angiopatia amilóide, etc.) e em diferentes populações (caucasianos, asiáticos, latinos, etc.). O desenvolvimento de edema peri-hematoma tem sido apontado como uma causa de lesão neuronal secundária após um HIC. Estudos experimentais em modelos animais indicam que a formação do edema peri-hematoma ocorre em três fases: fase precoce (primeiras 24 horas), fase intermediária (primeiros 3 dias) e fase tardia (após os primeiros 3 dias). Os mecanismos propostos para a formação do edema peri-hematoma precoce e intermediário incluem: pressão hidrostática, a produção de trombina, retração do coágulo e ativação do complemento. Já a fase tardia parece envolver: lesão celular, quebra da barreira hemato-encefálica, hemólise e neurotoxicidade pelos produtos de degradação da hemoglobina. Ainda existe, entretanto, muita controvérsia sobre as causas, os mecanismos, a evolução e o impacto clínico do edema peri-hematoma em humanos. Neste estudo pretendemos analisar e comparar a frequência e magnitude da expansão do hematoma e a progressão do edema peri-hematoma, assim como identificar fatores preditores de sua ocorrência (clínicos e radiológicos) e o seu impacto clínico em duas populações de pacientes com hemorragia intracerebral, atendidos em Ribeirão Preto/Brasil e em Boston/EUA. O projeto será realizado a partir da análise retrospectiva e comparativa de dados demográficos, clínicos e de neuroimagem de dois bancos de dados de hemorragia cerebral: Registro de Acidente Vascular Encefálico de Ribeirão Preto (HCFMRP-USP) e do Massachusetts General Hospital ICH Registry (MGH-Harvard). O Serviço de Neurologia Vascular e Neurointensivismo do MGH é reconhecido internacionalmente como um grupo de excelência em pesquisa translacional sobre hemorragia cerebral. Com o desenvolvimento deste projeto esperamos poder fortalecer a pesquisa translacional sobre AVC em nossa instituição e estabelecer uma forte colaboração de pesquisa científica sobre doenças cerebrovasculares entre as respectivas instituições. (AU)