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O neoliberalismo e o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra: avanços e recuos da luta pela Reforma Agrária no Brasil

Processo: 11/14236-0
Linha de fomento:Bolsas no Brasil - Pós-Doutorado
Vigência (Início): 01 de outubro de 2011
Vigência (Término): 30 de setembro de 2013
Área do conhecimento:Ciências Humanas - Ciência Política
Pesquisador responsável:Armando Boito Júnior
Beneficiário:Luciana Henrique da Silva
Instituição-sede: Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH). Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). Campinas , SP, Brasil
Vinculado ao auxílio:08/57112-7 - Política e classes sociais no capitalismo neoliberal, AP.TEM
Assunto(s):Classe social   Brasil   Campesinato   Neoliberalismo   Movimentos sociais

Resumo

As mais influentes forças políticas populares que emergiram no período de redemocratização foram: o Partido dos Trabalhadores (PT), a Central Única dos Trabalhadores (CUT) e o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). Observamos pela bibliografia existente que tanto o PT quanto a CUT foram profundamente atingidos pela ofensiva neoliberal, o que provocou mudanças efetivas em suas formas de ação, programas e posicionamentos político-ideológicos. Perguntamos se o mesmo fenômeno não estaria acontecendo com o MST que, na última década, após anos de oposição política aos governos que se sucederam desde sua fundação em 1984, manteve estreita ligação com o Governo Lula. Em outras palavras, essa relação entre MST e o PT não estaria provocando mudanças substantivas em suas orientações, práticas e concepções originárias? Qual a influência das políticas econômicas e sociais do Governo Lula sobre as concepções e as bases, acampada e assentada, do MST na última década? Historicamente, a composição social interna do MST é formada pelas bases acampada e assentada. Nossa primeira hipótese é que essas bases são afetadas de modo distinto pelas políticas sociais do governo. Temos, de um lado, as famílias assentadas, que obtiveram terra e que podem ser caracterizadas como famílias camponesas, e, de outro lado, as famílias acampadas, de origem social diversa, que permanecem na luta pela terra. Interna e externamente ao movimento, a situação social e econômica desses dois setores é distinta e, ao que tudo indica, os dois governos Lula parecem ter privilegiado os interesses dos assentados em detrimento dos interesses dos acampados. A segunda hipótese de nossa pesquisa é que esse favorecimento estaria ocorrendo também nas orientações expedidas pela direção do MST, algo que parece opor essa ala que se aproximou do governo a outra que pretende manter uma linha mais independente de luta pela terra. Tal situação reflete a complexidade interna que acomete a base do próprio movimento. Para testar nossas hipóteses e para obtermos informações ainda não fornecidas pela bibliografia, faremos pesquisa de campo junto a esses dois setores. Serão aplicados questionários junto a acampados no Estado de São Paulo e da Bahia e junto a assentados nos Estados de São Paulo e de Rio Grande do Sul, bem como entrevistas semi-estruturadas com dirigentes responsáveis por diferentes setores do MST - pelo setor denominado Frente de Massa, mais próximos dos acampamentos, e pelo setor dito Setor de Produção, mais próximos dos assentamentos.