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O que dirás, tu, esta noite? Gênero e sexualidade à luz de entidades femininas da umbanda

Processo: 11/17108-3
Linha de fomento:Bolsas no Brasil - Pós-Doutorado
Vigência (Início): 01 de dezembro de 2011
Vigência (Término): 31 de março de 2015
Área do conhecimento:Ciências Humanas - Antropologia - Antropologia das Populações Afro-brasileiras
Pesquisador responsável:Vagner Gonçalves da Silva
Beneficiário:Mariana Leal de Barros
Instituição-sede: Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH). Universidade de São Paulo (USP). São Paulo , SP, Brasil
Assunto(s):Mulheres   Feminino   Mediunidade   Entidades religiosas   Umbanda

Resumo

Este projeto pretende dar continuidade ao trabalho desenvolvido na tese que se dedicou ao estudo das implicações de gênero a partir da análise de pombagiras de umbanda. Os dados colhidos apresentaram como as entidades femininas "presentificam-se" no cotidiano de suas médiuns e configuram como valiosos artífices para elaboração de identidades de gênero. Dada a riqueza dos dados obtidos pela análise da figura da pombagira, neste momento, a proposta se amplia e busca compreender também outras entidades femininas da umbanda, como pretas-velhas, caboclas, baianas e ciganas. O objetivo é compreendê-las por meio da interação com suas médiuns, para investigar como as entidades femininas da umbanda oferecem suporte para que suas médiuns elaborem sentidos de gênero e sexualidade. Vale acrescentar que o estudo das entidades femininas da umbanda é tão valioso quanto pouco investigado. Dedicando-se às entidades de forma generalista e distinguindo-as apenas a partir de suas linhas espirituais, são raros os estudos que se aprofundaram na análise das entidades femininas em particular. Contudo, por meio de estudo de campo preliminar, é possível perceber que as entidades femininas da umbanda apresentam características próprias no que se refere às diferenças de gênero em relação aos seus correspondentes masculinos. Da mesma forma, as médiuns de umbanda também referem diferença nas relações que estabelecem com suas entidades femininas ou masculinas. Além disso, não apenas as pombagiras, mas também outras entidades femininas foram associadas com o que compreendem por "ser mulher" e são consideradas companheiras de suas médiuns nas mais diversas experiências de cotidiano. Outro aspecto relevante é perceber que para além das diferenças entre as mais variadas entidades femininas do panteão umbandista, é possível notar características que se repetem. Por mais distantes que possam parecer à primeira vista, como é o caso quando comparamos pombagiras e pretas-velhas, há significantes que se apresentam em ambas e possivelmente expressam uma inusitada continuidade do feminino na umbanda. A princípio, quatro terreiros do estado de São Paulo se configuram como interlocutores, onde serão realizadas observações participante de rituais, entrevistas com mulheres médiuns que recebem entidades femininas da umbanda, bem como com suas próprias entidades femininas. Os dados obtidos em campo serão analisados qualitativamente, a partir de referenciais da antropologia e da psicanálise lacaniana. Pretende-se assim, contribuir não apenas aos estudos que se dedicam ao campo religioso afro-brasileiro, mas ao amplo debate de teorias de gênero que se desenvolvem interdisciplinarmente.