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Cogito ergo volo: para uma fundamentação epistemológica da metafísica da vontade schopenhaueriana

Processo: 11/14823-3
Linha de fomento:Bolsas no Brasil - Mestrado
Vigência (Início): 01 de março de 2012
Vigência (Término): 31 de agosto de 2014
Área do conhecimento:Ciências Humanas - Filosofia - Metafísica
Pesquisador responsável:Oswaldo Giacoia Junior
Beneficiário:Gabriel Valladão Silva
Instituição-sede: Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH). Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). Campinas , SP, Brasil
Bolsa(s) vinculada(s):13/05824-1 - Dualismo transcendental e metafísica: a questão idealista na filosofia schopenhaueriana, BE.EP.MS
Assunto(s):Vontade   Arthur Schopenhauer   Epistemologia   Teoria do conhecimento

Resumo

O presente projeto propõe-se a trabalhar a forma que o idealismo adquire na filosofia de Arthur Schopenhauer, e as consequências que daí seguem. Segundo nossa tese, Schopenhauer concebe o seu ponto de vista fundamental sobre o mundo como um desenvolvimento da filosofia transcendental kantiana, realizando um retorno (não mais puramente dogmático) à metafísica. Para fundamentá-la, dividiremos nosso trabalho em três grandes momentos:O primeiro será dedicado a um estudo introdutório da crítica kantiana à metafísica especulativa tradicional "transcendente". Esta última buscava - apoiada na ideia de que nossa experiência permitia um acesso às coisas em si, o qual devia ser depurado pela razão - fundamentar a experiência naquilo que estaria para além dos objetos. Por meio de uma crítica ao aparato cognitivo humano, Kant demonstrará que as estruturas formais do sujeito relacionam-se com a experiência de maneira fundante, e que portanto nem esses elementos fundantes, nem o material dessa experiência (o único que nos é disponível) permitem a especulação sobre as coisas em si mesmas - nossa percepção, e, por consequência, nossa cognição, limitam-se ao modo pelo qual as coisas aparecem [erscheinen], isto é, são dadas ao intelecto pela sensibilidade. A sensibilidade e o entendimento não são, portanto, ferramentas para conhecer um mundo que existe apesar deles, mas dão a forma mesma da experiência, constituindo assim a condição de sua possibilidade.Num segundo momento investigaremos como Schopenhauer desenvolve essa concepção: para ele, o mundo é, por um lado, determinado a priori subjetivamente, conforme o descrevera Kant (há até uma radicalização do idealismo); mas, por outro, esse próprio sujeito é parte do mundo, ele mesmo é um objeto entre objetos. Segundo nossa tese, Schopenhauer postulará - para além da doutrina kantiana, mas não em contradição direta com ela, mas no espírito de complementá-la - uma reciprocidade entre sujeito e objeto como forma geral do mundo como representação. Sujeito e objeto são correlatos necessários: o próprio conceito de um perde seu sentido se não em oposição ao outro. Ambos são aparições, representante e represtado de algo que apenas aparece sob a forma do mundo como representação. É nesse sentido que afirmamos que Schopenhauer vai além do idealismo transcendental de Kant, fundando o que aqui chamamos um dualismo transcendental, no qual ambos - sujeito e objeto - são polos de uma mesma aparição, cuja essência está em algo para além tanto de um, como do outro.A última parte de nossa investigação tratará de analisar como essa nova perspectiva transcendental permite que Schopenhauer retorne à metafísica num cenário pós-crítico. Esta é em si uma tarefa múltipla: num primeiro momento, veremos as razões que levam Schopenhauer a afirmar que o mundo como representação, mesmo em sua dualidade sujeito / objeto, ainda é objeto de uma perspectiva meramente unilateral. Tendo postulado uma equivalência entre sujeito e objeto como aparição de uma mesma essência, a via metafísica (além do objeto) - cujo acesso mediado pela consciência foi demonstrado por Kant como sendo impossível - vê-se complementada por uma via metapsicológica (aquém do sujeito). Esta, por ser um dar-se conta de si mesmo da parte do sujeito, permite um acesso imediato a sua essência.Essa "dupla percepção" do próprio sujeito, também chamada autoconsciência, permite não só reconhecer a unidade da essência do mundo todo, mas também dar-lhe um nome. Nesse último momento, defenderemos que Schopenhauer valer-se-á de uma ressignificação do conceito de vontade, segregando-a do intelecto. O intelecto - a condição fundante do mundo como representação - é, dessa perspectiva, apenas um instrumento da vontade; a vontade, porém, é coisa em si, anterior ao intelecto e ao mundo como representação, que é sua aparição. A vontade é, para Schopenhauer, a essência una da qual o mundo duplo da representação é sempre mera aparência.