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O limite da linguagem e do pensamento no Tractatus de Wittgenstein

Processo: 11/23537-4
Linha de fomento:Bolsas no Brasil - Iniciação Científica
Vigência (Início): 01 de março de 2012
Vigência (Término): 31 de dezembro de 2013
Área do conhecimento:Ciências Humanas - Filosofia
Pesquisador responsável:Marcelo Silva de Carvalho
Beneficiário:Raphaela Silva de Oliveira
Instituição-sede: Escola de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (EFLCH). Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP). Campus Guarulhos. Guarulhos , SP, Brasil
Vinculado ao auxílio:12/50005-6 - Wittgenstein em transição, AP.TEM
Assunto(s):Filosofia da linguagem   Ludwig Wittgenstein   Linguagem

Resumo

Este projeto pretende explicitar o debate sobre limite da linguagem e do pensamento, em relação à distinção entre o que pode ser dito e o que pode somente ser mostrado e à concepção de contra-senso na linguagem, no Tractatus Logico-Philosophicus de Wittgenstein.No Prefácio ao Tractatus, Wittgenstein pretende apresentar a linguagem como uma maneira de contornar o problema que uma delimitação do pensamento pressupõe: não poder apontar o que está para além do limite por ser algo impensável. Mas por meio da linguagem poderíamos mostrar os dois "lados" do limite: o discurso com sentido e o contra-senso; a partir da teoria da figuração.A linguagem é um tipo de figuração, os nomes na proposição substituem os objetos no mundo e as suas relações formam uma imagem das possíveis relações que os objetos podem assumir, a partir da pressuposição de uma forma comum, que faz da proposição figuração do referido fato (ligação de objetos no mundo).Uma consequência da teoria afigurativa é que o nome atribuído a cada objeto é convencional. Em contrapartida, uma proposição, como todo tipo de figuração, está limitada a figurar fatos, a falar sobre a relação que os objetos mantêm entre si e não sobre um objeto isolado. Outra consequência é a linguagem, por ser uma figuração, não poder representar o que deve ter em comum com a realidade para conseguir figurá-la: a forma lógica (a forma mais geral dessa relação de afiguração).Essa limitação da possibilidade de representação, formulada através dos conceitos de figuração e forma lógica, estabelece uma distinção entre dois "domínios": dizer e mostrar. A proposição diz como as coisas estão, enquanto mostra a sua forma lógica, e, a dicotomia dizer e mostrar é exclusiva.De acordo com o projeto do Prefácio, de traçar um limite na linguagem, existiriam dois "lados": do que pode ser dito (e que pode ser dito claramente), que são todas as proposições com sentido, ou melhor, que figuram fatos; e outro do que não pode ser dito, referente às proposições que não figuram fatos, ou seja, "simplesmente um contra-senso".O debate a respeito do contra-senso torna-se ainda mais relevante ao tema do limite da linguagem quando Wittgenstein atribui ao próprio Tractatus, no penúltimo parágrafo do livro, a condição de contra-senso.O problema está em como deveríamos compreender esse contra-senso, porque se as proposições tractatianas são um contra-senso, então, deveríamos desistir delas, pois um contra-senso é desprovido de sentido.Como vimos, a delimitação da linguagem apresentada, segundo a sua concepção afigurativa, aponta para a dicotomia dizer e mostrar. Assim, podemos observar duas dicotomias: sentido e contra-senso; dizer e mostrar. Essas dicotomias, no entanto, não se sobrepõem perfeitamente: tudo o que pode ser dito, pode ser dito claramente, ou seja, com sentido, mas um contra-senso não aparece, no Tractatus, diretamente ligado ao que se mostra. Na medida em que sobrepomos o contra-senso ao "que se mostra", poderíamos supor ser o contra-senso uma proposição sem sentido, mas com algum caráter "elucidativo": encontra-se uma menção ao termo "elucidação" na concepção de filosofia do Tractatus como atividade.O problema que se explicita aqui, e que se situa no núcleo do projeto de pesquisa proposto, consiste em compreender a concepção de limite da linguagem e do pensamento no Tractatus e como o projeto de traçar esse limite da linguagem se enquadra na concepção de filosofia do livro. Mas não sem antes entender: o estatuto do contra-senso que Wittgenstein atribui ao Tractatus, que na leitura Diamond-Conant está ligado à concepção de filosofia do Tractatus ao mesmo tempo em que não há um tipo de contra-senso elucidativo; e o estatuto desse mostrar a que o Tractatus se refere, uma vez que as dicotomias sentido/contra-senso e dizer/mostrar não se sobrepõe.

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