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Samba, uma narrativa do urbano: conflitos, disputas e acomodações no Rio de Janeiro (1921-1942)

Processo: 11/51876-8
Linha de fomento:Bolsas no Brasil - Pós-Doutorado
Vigência (Início): 01 de março de 2012
Vigência (Término): 28 de fevereiro de 2013
Área do conhecimento:Ciências Humanas - Geografia - Geografia Humana
Pesquisador responsável:Antonio Carlos Robert Moraes
Beneficiário:Julia Santos Cossermelli de Andrade
Instituição-sede: Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH). Universidade de São Paulo (USP). São Paulo , SP, Brasil
Assunto(s):Indústria cultural

Resumo

Este projeto busca utilizar o samba como fonte documental capaz de revelar as dinâmicas geográficas do Rio de Janeiro entre os anos de 1921 e 1942. Este gênero musical envolveu diferentes classes sociais provando seu forte poder de comunicação. Tendo suas raízes variadas (lundus, maxixes) o samba nasceu entre os pobres e negros e foi, por muito tempo, proibido na vida social carioca até os primeiros anos do século XX. Porém, em menos de duas décadas, ele se torna o símbolo máximo da cultura nacional representando o Brasil inclusive nas telas de Hollywood. Buscar compreender essa "virada", esse "mistério", nos ajuda a entender os diferentes mecanismos sociais, políticos e culturais que estiveram em jogo na formação do samba. E essa construção poderá também nos revelar parte da complexidade e contradições das relações sociais e espaciais, dos conflitos e acomodações que a população carioca vivia diante de uma nova urbanização, cada vez mais preocupada com a modernização do território e sua valorização e, conseqüentemente, uma mais aguda segregação socioespacial. Ou seja, através desta manifestação musical buscaremos nos aproximar do cotidiano urbano vivido, sobretudo, pelos grupos mais pobres. Nas temáticas das canções buscaremos localizar os novos arranjos trazidos pelo modo de viver das cidades. O período escolhido conjuga transformações importantes tanto no universo do samba quanto nas mudanças urbanas. É justamente o momento em que a indústria cultural nasce apoiada fortemente na música popular e urbana e, ao mesmo tempo, a cidade sofre grandes mudanças urbanísticas. Em 1921 o Morro do Castelo (local de cortiços e operários) é arrasado com a justificativa de dar espaço às obras da Exposição Internacional de 1922. Nos anos seguintes uma série de reformas e disciplinarização do uso espaço se dão culminando com a destruição, em 1942, do maior símbolo urbano da comunidade do samba: A Praça Onze. (AU)