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Efeitos da transposição ileal sobre o pâncreas endócrino de ratos normais

Processo: 11/23086-2
Linha de fomento:Bolsas no Brasil - Iniciação Científica
Vigência (Início): 01 de abril de 2012
Vigência (Término): 31 de março de 2013
Área do conhecimento:Ciências da Saúde - Medicina - Cirurgia
Pesquisador responsável:Joao Luiz Moreira Coutinho de Azevedo
Beneficiário:Rodrigo Yuzo Masuda
Instituição-sede: Escola Paulista de Medicina (EPM). Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP). Campus São Paulo. São Paulo , SP, Brasil

Resumo

A obesidade apresenta-se como uma epidemia global, devido sua crescente incidência e prevalência, com importantes repercussões biopsicossociais e grande impacto financeiro na economia mundial. Segundo Organização Mundial de Saúde, em 2005, havia cerca de 400 milhões de pessoas obesas no mundo e 1,6 bilhões com sobrepeso. No Brasil, segundo a Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF 2002-2003) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, estima-se que cerca de 50% da população esteja com peso acima do ideal. Resistência insulínica e diabetes mellitus (DM) são condições que estão relacionadas à obesidade, mas a pandemia de DM tipo 2 atinge não só obesos, mas também pessoas com Índice de Massa Corpórea (IMC) menor. Há uma prevalência e uma incidência cada vez maior de DM tipo 2 em indivíduos com IMC na faixa de sobrepeso e eutrofia. Assim, a identificação de hormônios liberados por células do tubo digestório tem assumido um papel relevante na compreensão da relação entre tais hormônios e o metabolismo de carboidratos. A produção do hormônio similar ao glucagon tipo 1 (Glucagon like peptide type 1: GLP-1) é realizada nas células L, encontradas sobretudo no íleo e no cólon proximal, sendo parte do sistema êntero-endócrino e produzindo vários hormônios a partir da clivagem de uma macromolécula, o pró-glucagon. As principais ações do GLP-1 são: estimulação da síntese de insulina pelas células beta das ilhotas pancreáticas, redução da resistência insulínica periférica e consequente efeito no metabolismo glicídico. Desta forma, foi demonstrado seu efeito na estimulação à produção de insulina, inferindo na possibilidade de tratamento de DM tipo 2. Em relação ao pâncreas endócrino, recentes estudos têm mostrado que o GLP-1 aumenta a proliferação das células beta e inibe a apoptose destas, estimulando o crescimento de ilhotas pancreáticas. Além disso, em nível molecular, foi verificado que o GLP-1 atua na diferenciação das células primitivas do pâncreas em células beta. Idealizadas com a finalidade de redução de peso, diversas técnicas operatórias mostraram-se eficazes no tratamento da síndrome metabólica, especialmente de DM tipo 2. Estudos mostraram que a maioria dos pacientes obesos e diabéticos submetidos ao tratamento cirúrgico apresentaram melhora de DM antes de uma perda ponderal significativa. A hipótese para tal fato é de que as alterações da configuração anatômica do trato digestório, determinados pela intervenção cirúrgica, ocasionam a liberação de hormônios incretínicos, ou seja, atuam na produção de hormônios êntero-endócrinos, na sensibilidade das células à insulina e no metabolismo dos carboidratos. Alguns procedimentos operatórios bariátricos abreviam o percurso até o íleo terminal, permitindo que os alimentos não totalmente digeridos alcancem as porções distais do intestino delgado, estimulando a liberação do GLP-1 por parte das células êntero-endócrinas do tipo L, existentes em grande densidade no íleo distal. É o que ocorre quando transportamos cirurgicamente segmento do íleo terminal e o interpomos no jejuno proximal. Outro efeito desse aumento das taxas sanguíneas de GLP-1 é a diminuição da motilidade do tubo digestório, denominando essa intervenção de "freio ileal". Portanto, o objetivo do projeto é avaliar os efeitos sobre o pâncreas endócrino de uma técnica operatória destinada a interferir na função êntero-endócrina do hospedeiro, verificando as alterações histológicas e morfológicas ocorridas nas ilhotas pancreáticas após interposição ileal. A avaliação histológica será realizada por estudo imunohistoquímico. Espera-se observar no grupo submetido à transposição ileal: menor consumo de dieta, menor ganho ponderal, aumento do número de células beta nas ilhotas, sinais histológicos de hiperatividade das células beta e hipoatividade das células alfa, avaliando a eficácia desta técnica operatória por meio do efeito incretínico do GLP-1 atuando no pâncreas endócrino.

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