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Mapeamento isotópico da dieta no Brasil: dos núcleos mais isolados aos grandes centros urbanos

Processo: 12/09916-5
Linha de fomento:Bolsas no Brasil - Programa Capacitação - Treinamento Técnico
Vigência (Início): 01 de junho de 2012
Vigência (Término): 31 de julho de 2013
Área do conhecimento:Ciências da Saúde - Nutrição - Análise Nutricional de População
Pesquisador responsável:Luiz Antonio Martinelli
Beneficiário:Guilherme de Morais Rodrigues
Instituição-sede: Centro de Energia Nuclear na Agricultura (CENA). Universidade de São Paulo (USP). Piracicaba , SP, Brasil
Vinculado ao auxílio:11/50345-9 - Mapeamento isotópico da dieta no Brasil - dos núcleos mais isolados aos grandes centros urbanos, AP.R
Assunto(s):Dieta   Alimentação humana

Resumo

Em meados do ano de 2002 iniciamos um estudo sobre padrões alimentares de populações brasileiras e estrangeiras utilizando-se a composição isotópica do carbono e do nitrogênio em amostras de unha humana oriundas de várias populações contemporâneas. Este trabalho teve o mérito de ser o primeiro a analisar um número elevado de amostras, onde mais de 800 amostras de unhas foram analisadas, permitindo análises estatísticas mais robustas que levaram à detecção de padrões alimentares interessantes entre diferentes populações. Por exemplo, foi surpreendente a proporção de carbono oriunda de plantas do tipo fotossintético C4 (cana-de-açúcar, milho e pastagens) nas dietas de habitantes de cidades como Piracicaba, no interior do estado de São Paulo, e em Santarém, no interior do estado do Pará. Foi também surpreendente o fato do padrão alimentar dos habitantes da cidade de Santarém ter sido similar ao padrão encontrado na cidade de Piracicaba. Os resultados para o meio rural (pequenas comunidades rurais, distantes cerca de 50 a 80 km da cidade de Santarém), mostraram que os habitantes destas localidades tiveram padrões alimentares semelhantes entre si, mas totalmente distintos em relação à cidade de Santarém. Diante deste contexto, iniciamos um estudo mais detalhado (Projeto FAPESP No. 07/51342-8, encerrado em janeiro 2010) ao comparar as populações urbanas de Manaus e Tefé, no estado do Amazonas com comunidades locais ao longo do rio Solimões onde a principal fonte de proteína da comunidade local é o pescado. Estas comunidades foram escolhidas com o intuito de investigar se as diferenças encontradas entre o meio urbano e comunidades rurais persistem em outras regiões da Amazônia. Investigamos também padrões alimentares em comunidades locais do estado de São Paulo (comunidades de caiçaras existentes na região de Ubatuba, ao longo da rodovia Rio-Santos e comunidades que vivem na mesma região, mas, nos conhecidos "sertões" de Ubatuba, que são bairros próximos às encostas da Serra do Mar). De uma forma geral, os dados obtidos sugerem que há uma homogeneização na dieta urbana e uma diminuição nas diferenças entre indivíduos vivendo em aglomerados urbanos de diferentes tamanhos. No caso do estado de São Paulo chegou-se ao extremo de não se encontrar mais diferenças isotópicas nas unhas de indivíduos vivendo em áreas isoladas do Estado. Apesar do isolamento, a fonte de alimento se torna uma só, os grandes supermercados do centro urbano de referência. Situação esta distinta da encontrada dentre moradores das regiões rurais da Amazônia, onde se nota ainda um vínculo mais forte entre os habitantes e a busca do próprio alimento. No entanto, mesmo nestas áreas se nota uma perda de identidade alimentar e a penetração de alimentos industrializados como frangos congelados produzidos na região Sul e Sudeste do país. Diante deste contexto, a proposta aqui é testar através da composição isotópica das unhas de habitantes de várias regiões do Brasil o que chamamos de "grau de isolamento", ou seja, o quanto o padrão alimentar de determinada população está vinculado a produção do próprio alimento ou aquisição de um alimento "importado" produzido em outra região. (AU)