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Determinação do efeito da crotalfina sobre o sistema canabinóide: liberação de endocanabinóides ou ligação direta ao receptor CB2

Processo: 12/01423-0
Linha de fomento:Bolsas no Exterior - Estágio de Pesquisa - Mestrado
Vigência (Início): 01 de setembro de 2012
Vigência (Término): 31 de dezembro de 2012
Área do conhecimento:Ciências Biológicas - Farmacologia - Farmacologia Geral
Pesquisador responsável:Gisele Picolo
Beneficiário:Franciele Corrêa Machado
Supervisor no Exterior: Teresa Iuvone
Instituição-sede: Instituto Butantan. Secretaria da Saúde (São Paulo - Estado). São Paulo , SP, Brasil
Local de pesquisa : Università degli Studi di Napoli Frederico II (UNINA), Itália  
Vinculado à bolsa:10/12917-8 - Contribuição do sistema canabinóide e sua interação com o sistema opióide na antinocicepção induzida pela crotalfina, um analgésico tipo opióide, BP.MS
Assunto(s):Dor   Crotalfina   Endocanabinoides   Receptores de canabinóides

Resumo

Estudos realizados há anos em nosso laboratório, avaliando o efeito de compostos obtidos de venenos e ou toxinas animais no processo doloroso, resultaram na descoberta da crotalfina, um peptídeo de 14 aminoácidos que teve sua sequência baseada no fator analgésico natural obtido do veneno de serpentes Crotalus durissus terrificus. Os estudos realizados com a crotalfina demonstraram que ela era capaz de induzir antinocicepção de longa duração (2-3 dias nos modelos de dor crônica e 5 dias no modelo de hiperalgesia inflamatória) mediada pela ativação de receptores opióides do tipo kappa e/ou kappa e delta, dependendo do modelo. Ainda, o tratamento prolongado com o peptídeo sintético não acarreta o desenvolvimento de tolerância ao efeito antinociceptivo, ou mesmo o aparecimento de hiperalgesia tardia subsequentemente ao fim do efeito analgésico, fenômenos comumente observados no tratamento com opióides. É importante ressaltar que, apesar de acarretar analgesia revertida por antagonistas de receptores opióides, a sequência da crotalfina não apresenta similaridade com nenhum outro opióide conhecido. Ainda, estudos preliminares indicam que a crotalfina não ativa diretamente os receptores opióides uma vez que o peptídeo não é capaz de deslocar naloxona marcada ([3H] naloxone) em estudos de "binding". Baseado em dados da Literatura demonstrando a estreita relação entre os sistemas opióide e canabinóide, e com o objetivo de melhor compreender os mecanismos que estariam envolvidos na antinocicepção induzida pela crotalfina, foram iniciados, em nosso laboratório, estudos sobre a participação do sistema canabinóide no efeito da crotalfina. Os dados obtidos nestes estudos indicam que a atividade antinociceptiva da crotalfina envolve a participação não só de receptores opióides, como também de receptores canabinóides periféricos. Ainda, o efeito antinociceptivo é decorrente de liberação de opióides endógenos, particularmente de dinorfina A, agonista endógeno de receptores kappa. Os mesmos ensaios também sugerem que esta liberação de dinorfina A induzida pela crotalfina é dependente da ativação de receptores canabinóides periféricos, particularmente CB2. Dados da Literatura demonstram, em relação a ligação entre os sistemas opioides e canabinóides, que o efeito analgésico de canabinóides pode ser mediado pela liberação de opióides endógenos, da mesma maneira que drogas opióides podem acarretar a liberação de endocanabinóides. Assim, buscando investigar o envolvimento do sistema endocanabinóide na antinocicepção induzida pela crotalfina, utilizamos o MAFP (metil araquidonil fluorofosfonado), um inibidor da hidrolase amida de ácidos graxos (enzima que hidrolisa os endocanabinóides), e o Orlistat, um inibidor do diacilglicerol (precursor dos endocanabinóides, produzido a partir da hidrólise de fosfoinositídeos de membrana). Os resultados obtidos demonstraram que o MAFP foi capaz de potencializar o efeito antinociceptivo da crotalfina, porém, não houve qualquer alteração em animais tratados com Orlistat. Dados da Literatura demonstram que o MAPF é um inibidor pouco seletivo da enzima que hidrolisa os endocanabinóides, podendo também hidrolisar inibidores de outros ácidos graxos. Assim, o envolvimento de endocanabinóides no efeito da crotalfina continua incerto. Portanto, o objetivo deste projeto para Bolsa Estágio de Pesquisa no Exterior é avaliar se a ativação de receptores canabinóides induzida pela crotalfina ocorre direta ou indiretamente, devido à liberação de endocanabinóides. (AU)

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