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As metamorfoses gótico-românticas no discurso narrativo de Wuthering Heights, de Emile Brontë

Processo: 12/08393-9
Linha de fomento:Bolsas no Brasil - Doutorado
Vigência (Início): 01 de julho de 2012
Vigência (Término): 30 de abril de 2016
Área do conhecimento:Linguística, Letras e Artes - Letras - Teoria Literária
Pesquisador responsável:Karin Volobuef
Beneficiário:Alessandro Yuri Alegrette
Instituição-sede: Faculdade de Ciências e Letras (FCL). Universidade Estadual Paulista (UNESP). Campus de Araraquara. Araraquara , SP, Brasil
Assunto(s):Gótico   Romance   Literatura inglesa

Resumo

Após o imenso sucesso do romance gótico na Inglaterra do séc. XVIII, o gênero ganhou novo alento no séc. XIX com a publicação de obras que souberam ampliar e renovar a própria concepção dessa vertente literária. Diante disso, o objetivo da presente pesquisa é tratar do romance Wuthering Heights [O Morro dos Ventos Uivantes] (1847), de Emily Brontë, em vista desse espectro de renovação e ressignificação do gótico. A espinha dorsal de nossa abordagem é a discussão da configuração gótica específica explorada pela autora em sua narrativa, face que se manifesta especialmente em seu enredo. Para grande parte da crítica literária, o romance de Brontë é uma obra híbrida: a primeira parte seria gótica e a segunda realista. Já outros estudiosos consideram que a obra pode ser vista como impregnada pelo gótico em todas as suas páginas, dado que Brontë ali explorou uma gama de temas afins ao gótico, como o conflito entre o bárbaro e o civilizado, a dissolução das fronteiras entre o eu e o outro, a interpenetração entre o natural e o sobrenatural, e motivos como o duplo, fantasmas, criaturas sobrenaturais. Não desconsideramos, é claro, o fato de que a autora também se atém ao ambiente cotidiano inglês de Yorkshire, onde ela morou grande parte de sua vida. Mesmo assim, o principal objetivo de nossa pesquisa é discutir como, a despeito das descrições verossímeis dos costumes e valores da sociedade vitoriana, e de personagens que fogem de esquemas maniqueístas, o discurso narrativo de O Morro dos Ventos Uivantes se destaca, principalmente, por sua configuração "gótica específica", estabelecendo assim pontos de intersecção com outros textos que remontam ao início do século XVIII, onde se inicia a tradição gótico-literária e, com obras que evocam elementos góticos. Além disso, o romance de Brontë também mantém uma forte ligação com a estética do romantismo, que sempre manteve certa proximidade ao gótico. Do ponto de vista da construção da narrativa, a obra combina a atmosfera gótica com a vertente romântica byroniana, a qual responde pelo herói marcado pelo pathos trágico e pela intensidade das demonstrações de sensibilidade. Dessa forma, O Morro dos Ventos Uivantes, a exemplo de Frankenstein, de Mary Shelley, pode ser considerada uma obra que faz uma síntese do chamado "gótico-romântico" já em plenos meados do século XIX. Além disso, a autora em seu discurso narrativo também faz alusões ao plano metafísico, remetendo assim a vários conflitos de oposição, que são sempre destacados no discurso narrativo dos romances góticos: o bem e do mal, o céu e o inferno, o natural e o sobrenatural. Assim, apesar dessa obra ter sido analisada criticamente em ensaios dentro de diferentes abordagens teóricas, mesmo após tanto tempo de sua publicação, O Morro dos Ventos Uivantes continua suscitando questionamentos dentro do meio acadêmico sobre seu processo de criação, sua configuração gótica específica, que se diferencia de outras narrativas de seu tempo ou épocas posteriores. (AU)

Publicações acadêmicas
(Referências obtidas automaticamente das Instituições de Ensino e Pesquisa do Estado de São Paulo)
ALEGRETTE, Alessandro Yuri. As metamorfoses da escrita gótica em Wuthering Heigths (O Morro dos Ventos Uivantes). 2016. 179 f. Tese de Doutorado - Universidade Estadual Paulista "Júlio de Mesquita Filho" Faculdade de Ciências e Letras (Campus de Araraquara)..

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