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Áreas modificadas são acessíveis aos polinizadores?: uma análise do forrageio de Melipona quadrifasciata como indicador de conectividade funcional

Processo: 12/10727-2
Linha de fomento:Bolsas no Brasil - Mestrado
Vigência (Início): 01 de novembro de 2012
Vigência (Término): 28 de fevereiro de 2014
Área do conhecimento:Ciências Biológicas - Ecologia
Pesquisador responsável:Danilo Boscolo
Beneficiário:Tatiana Machado de Souza
Instituição-sede: Pró-Reitoria de Pós-Graduação e Pesquisa. Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP). Campus São Paulo. São Paulo , SP, Brasil
Assunto(s):Melipona quadrifasciata   Pólen   Polinização   Abelhas   Ecologia da paisagem   Conectividade (ecologia)

Resumo

Modificações ambientais são capazes de gerar paisagens compostas por manchas pequenas e isoladas de ambientes naturais, intercaladas por distintos tipos de uso e ocupação do solo. Esse processo interfere no fluxo gênico entre populações de plantas através de polinizadores, o que é diretamente ligado à conectividade funcional e acessibilidade dos ambientes. Isso ocorre porque os polinizadores devem levar em consideração os custos e benefícios de se mover entre manchas de diferentes ambientes, como supõe a Teoria do forrageamento ótimo. Na Chapada Diamantina (BA) existe uma grande diversidade de ambientes naturais e grandes centros agrícolas, como o polo agrícola de Mucugê/Ibicoara, que possui grande heterogeneidade de ambientes, o que é ideal para pesquisas sobre padrões de forrageio de polinizadores e conectividade funcional. Nesse contexto, a espécie Melipona quadrifasciata é adequada para estudos de forrageio por serem de fácil manejo e já terem sido eficientemente utilizadas em experimentos de polinização na região. Sendo assim, o objetivo deste estudo foi estimar a acessibilidade dos ambientes naturais e cultivados na região de estudo para M. quadrifasciata, através da avaliação do forrageio de pólen em diferentes contextos espaciais (mais ou menos antropizados), de forma a inferir sobre as preferências da espécie quanto a ambientes mais ou menos antropizados, assim como sobre a conectividade funcional desses ambientes. Para isto, foram instalados 15 ninhos artificiais de M. quadrifasciata alocados dentro de dois diferentes contextos: Contexto mais antropizado e contexto menos antropizado, selecionados a partir da estrutura da paisagem circundante. Assim, 3 das colônias ficaram adjacentes a cultivos em flor como colônias controle, enquanto as demais foram alocadas em áreas naturais entre 500m a 2000m de distância desses cultivos, para avaliar em quais situações as abelhas escolheriam voar preferencialmente para o cultivo ou permanecer nas áreas naturais. Foram realizados transectos ao redor das colônias observadas para conhecimento dos recursos disponíveis, com preparação de exsicatas e coleta de pólen das áreas naturais e agrícolas. Também houve a coleta de pólen diretamente das corbículas das abelhas para que se conhecesse o padrão de forrageio da espécie através dos recursos coletados. Após as coletas, foram realizadas análises quantitativas e de diversidade dos pólens coletados demonstrando que o padrão de diversidade polínica coletada pelas abelhas foi bastante dependente das distâncias entre os cultivos e as colônias em áreas naturais. A diversidade polínica nas coletas das abelhas foi ainda mais influenciada pela associação entre a distância e a diversidade de ambientes ao redor de cada colônia. Considerando os dados obtidos e a estratégia de forrageio conhecida de M. quadrifasciata é possível gerar de forma indireta o grau de conectividade funcional da região de estudo para essas abelhas, o que tem influência direta sobre sua movimentação e consequentemente eficiência como vetor de troca de pólens em ambientes naturais e de cultivo. Sendo assim, manter as áreas naturais saudáveis e próximas ao cultivo pode ser uma forma de manter o sistema de polinização funcionando a longo prazo, pois isso garantiria que as áreas naturais e cultivadas sejam acessíveis em grau suficiente para oferecer recursos para nidificação e alimentares de forma razoavelmente constante durante todo o período de vida das colônias naturais. (AU)