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O que é que cavalo sabe: um estudo antropológico sobre o vínculo humano-animal na equoterapia

Processo: 12/16260-9
Linha de fomento:Bolsas no Brasil - Mestrado
Vigência (Início): 01 de novembro de 2012
Vigência (Término): 31 de agosto de 2014
Área do conhecimento:Ciências Humanas - Antropologia - Antropologia Urbana
Pesquisador responsável:Felipe Ferreira Vander Velden
Beneficiário:Luna Castro Pavão
Instituição-sede: Centro de Educação e Ciências Humanas (CECH). Universidade Federal de São Carlos (UFSCAR). São Carlos , SP, Brasil
Bolsa(s) vinculada(s):13/18940-0 - O que é que cavalo sabe: um estudo antropológico sobre o vínculo humano-animal na equoterapia, BE.EP.MS
Assunto(s):Natureza   Animais

Resumo

A partir de uma perspectiva antropológica, esta pesquisa busca compreender como se delineia a interação humano-animal no interior de certa prática terapêutica contemporânea. Para tanto, o estudo presente tem como objetivo investigar o conjunto de valores, ideias e práticas dos atores envolvidos na equoterapia. Neste sentido, caberia indagar sobre o papel que os animais desempenham nestes entrelaçamentos entre humanos e animais, permitindo enxergar com maior nitidez a associação entre humanos e animais neste mecanismo de cura. Serão estes animais apenas auxiliares (num viés utilitarista e instrumental) ou, mais do que isto, agentes terapêuticos destes tratamentos e, efetivamente, complementares à atuação de terapeutas humanos?Cavalos parecem ser dotados de novas capacidades e, sobretudo, mobilizados como mecanismo de estímulo e desenvolvimento de habilidades sociais, psíquicas e físico-motoras nos humanos. Assim, serão levadas em conta as práticas dos profissionais e agentes envolvidos em instituições terapêuticas, e de certos setores da medicina e da área da saúde que se valem da apropriação de animais para fins curativos (como as terapias dirigidas para o tratamento de deficiências e dificuldades físicas, transtornos mentais como o autismo e a paralisia cerebral, sessões de psicoterapia, dentre outros ), bem como a atuação dos próprios animais em questão. No contexto em tela, a presença dos cavalos como elementos terapêuticos parece favorecer a atribuição de certas categorias explicativas para estes animais, tais como a noção de trabalhadores e co-terapeutas.Vale ressaltar que a relação humano-animal encontra-se subsumida na relação maior que funda a antropologia como um campo de saber propriamente, qual seja, entre Natureza e Cultura (Lévi-Strauss, 1949). Incluindo outros seres nos campos de análise das humanidades e da antropologia, as discussões atuais acerca das relações entre natureza e cultura recolocam os animais (e outras alteridades) enquanto agentes e campo de práticas- mais do que meros símbolos que inspiram e fazem pensar a humanidade (Kohn, 2007), contrapondo-se ao estatuto de exclusividade que até então gozavam os seres humanos enquanto sujeitos do mundo por excelência. Para além das categorias ocidentais dualistas, despontam noções tais como naturecultures, companion species (Haraway, 2003 e 2008), abdução de agência (Gell, 1998), as idéias de Ingold a respeito do 'organismo-pessoa' e seus conceitos de engagement e dwelling perspective (2000), além da proposta de uma antropologia da vida elaborada por Eduardo Kohn (2009) e sua 'transspecies ethnography', bem como a 'multispecies ethnography' de Kirksey e Helmreich (2010), conceitos estes que guiarão o exercício investigativo ao longo deste projeto. Tendo em vista os debates mencionados, esta pesquisa pretende investigar o campo da equoterapia, buscando-se compreender o estatuto atribuído aos cavalos nesta terapia, inseridos aqui menos como companhias e símbolos, senão como 'auxiliares', motivadores','co-terapeutas' e "trabalhadores". As aparentes modificações no trato com estes animais apontariam para certa reconfiguração da categoria "animal" e do próprio vínculo humano-animal. Neste sentido, a pesquisa a ser realizada poderia, eventualmente, contribuir para uma reflexão sobre os processos de redefinição das fronteiras ontológicas entre humanos e animais. (AU)