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O governo dos índios: instituições municipais ibéricas e identidades indígenas nas missões de Maynas e Mojos (segunda metade do Século XVIII)

Processo: 12/06580-6
Linha de fomento:Bolsas no Brasil - Pós-Doutorado
Vigência (Início): 01 de abril de 2013
Vigência (Término): 31 de outubro de 2016
Área do conhecimento:Ciências Humanas - História - História da América
Pesquisador responsável:Pedro Luis Puntoni
Beneficiário:Francismar Alex Lopes de Carvalho
Instituição-sede: Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH). Universidade de São Paulo (USP). São Paulo, SP, Brasil
Bolsa(s) vinculada(s):14/04575-0 - Missões jesuíticas na Amazônia: estratégias de conversão e agência indígena em Maynas e Mojos, 1638-1767, BE.EP.PD
Assunto(s):Política indigenista   Fronteiras

Resumo

Os domínios espanhóis se expandiram em direção ao leste da América do Sul através da instalação de missões jesuíticas, as quais eram organizadas com base em valores e práticas municipais ibéricos. Estabelecidas nas franjas orientais dos vice-reinos de Santa Fé e do Peru, as missões de Maynas (a partir de 1638) e Mojos (1682) consolidaram, junto a espaços urbanos regulares, a produção de vários itens como cacau, sebo, cera, algodão, açúcar e drogas do sertão. Instituições municipais de origem ibérica foram instaladas pelos jesuítas nessas missões, destacando-se os cabildos, espécie de concelho em que os caciques assumiam algumas das funções de gestão da comunidade. O objetivo desta pesquisa é analisar comparativamente o modo como os índios se relacionavam com essas instituições, especialmente durante o período de reformas administrativas que se seguiu à expulsão dos jesuítas dos domínios espanhóis em 1767. A razão de se propor uma comparação entre as missões de Maynas e Mojos reside em que, embora houvesse notáveis similitudes entre ambas (heterogeneidade lingüística e cultural, condições ecológicas e geográficas pouco favoráveis e pressão externa da colonização portuguesa), ao passo que as missões de Mojos prosperaram e permaneceram estáveis durante o século XVIII, a decadência das missões de Maynas começou já na época dos jesuítas, e foi apenas parcialmente estancada no período das reformas ilustradas. Esta pesquisa espera fornecer elementos para explicar essa diferença de resultados, ao propor uma análise do modo pelo qual os índios se envolveram no funcionamento das instituições municipais ibéricas e das condições concretas em que tal participação possibilitou a construção de suas identidades. A hipótese de trabalho sustenta que a experiência de participação nas instituições municipais conduziu não à emergência de uma identidade homogênea, mas de múltiplas identidades que eram acionadas pelos índios em cada um dos níveis da administração colonial. Para usar as instituições em benefício próprio, os índios elaboravam identidades que fossem congruentes com os papéis esperados, sem romper de todo com as antigas tradições.

Matéria(s) publicada(s) na Revista Pesquisa FAPESP sobre a bolsa:
Cristianismo negociado