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Trajetórias de jovens de baixa renda no mercado de trabalho contemporâneo

Processo: 12/21367-7
Linha de fomento:Bolsas no Brasil - Doutorado
Vigência (Início): 01 de abril de 2013
Vigência (Término): 30 de abril de 2015
Área do conhecimento:Ciências Sociais Aplicadas - Administração - Administração de Empresas
Pesquisador responsável:Maria Ester de Freitas
Beneficiário:André Luis Silva
Instituição-sede: Escola de Administração de Empresas (EAESP). Fundação Getúlio Vargas (FGV). São Paulo , SP, Brasil
Assunto(s):Relações de trabalho   Mercado de trabalho   Jovens

Resumo

Esta tese se propõe a discutir o fenômeno da "nova classe média" brasileira, por meio de um estudo empírico-qualitativo, dentro da área de estudos organizacionais. O ponto de partida do estudo se constitui na seguinte problematização: como o crescimento econômico brasileiro, ocorrido ao longo da última década, impactou as trajetórias e condições de vida de trabalhadores de baixa renda? O objetivo central é investigar quais mudanças ocorreram nas trajetórias de jovens de baixa renda que migraram, ao longo da última década, para a dita "nova classe média" brasileira. A abordagem metodológica é empírico-qualitativa e se constitui de uma estratégia de pesquisa principal: reconstrução de biografias narrativas por meio de entrevistas. Contamos com a participação de 42 jovens trabalhadores dentro do recorte pretendido. Os dados empíricos foram interpretados com o auxílio da técnica de análise de conteúdo. A lente teórica utilizada para interpretá-los foi interdisciplinar e privilegiou as contribuições das áreas da Sociologia crítica, econômica e do trabalho, bem como as dos Estudos organizacionais. Os resultados obtidos indicaram que a vida dos jovens trabalhadores está melhor que no passado. Contudo, suas vidas não resguardam apenas mudanças. Há também muitas permanências, seja pelo fato deles ainda residirem em zonas periféricas; utilizarem cotidianamente os serviços públicos de transporte e saúde; ou realizarem as atividades culturais/de lazer similares as que empreendiam no passado; o que não condiz com o alcance do um estilo de vida próprio de uma classe média convencional. Por essa razão, concluímos que a reprodução da ideia de uma NCM brasileira representa muito mais o desejo de seus idealizadores em apontar a conquista de uma realidade social almejada para o Brasil, do que propriamente a consolidação de seu alcance na vida cotidiana dos jovens trabalhadores brasileiros. É nesse sentido que o discurso sobre a NCM brasileira representa muito mais o realizar da ilusão de seus idealizadores, do que efetivamente a constatação empírica de que as melhoras, em termos de renda e poder de consumo, foram capazes, por si só, de transformar definitivamente a vida dos jovens trabalhadores brasileiros e, assim, o Brasil em um país de classe média. (AU)