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A expressão do modo no Karitiana

Processo: 13/03936-7
Linha de fomento:Bolsas no Brasil - Iniciação Científica
Vigência (Início): 01 de maio de 2013
Vigência (Término): 30 de abril de 2014
Área do conhecimento:Linguística, Letras e Artes - Linguística - Teoria e Análise Lingüística
Pesquisador responsável:Ana Lucia de Paula Muller
Beneficiário:Luiz Fernando Ferreira
Instituição-sede: Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH). Universidade de São Paulo (USP). São Paulo , SP, Brasil
Assunto(s):Línguas indígenas

Resumo

O Karitiana é uma língua indígena da família Ariquém. O Karitiana é uma língua singular em diversos aspectos, porém o recorte que essa pesquisa faz é a marcação de modo na língua. Lyons (1997:452) define modalidade como "'Opinião ou atitude' do falante". Ou seja, a postura que o falante assume diante da sentença que ele profere, se ele a considera verdadeira, hipotética, uma ordem etc. Essa postura do falante costuma ser marcada nos verbos e essa marcação recebe o nome de modo verbal. Portner (2011:1262) descreve o modo verbal como sendo "[&] uma distinção na forma entre orações baseada na presence, ausência, ou tipo de modalidade no contexto grammatical em que elas ocorrem.".Ao se comparar o Karitiana com o Português, por exemplo, percebe-se duas diferenças relevantes. Primeiramente o quadro modal do Karitiana é maior. Enquanto o português apresenta três modos (subjuntivo, indicativo e imperativo) o quadro modal do Karitiana conta com seis modos (declarativo, assertivo, citativo, deôntico, imperativo e condicional) de acordo com Storto (2002). Outra diferença é que as orações subordinadas aparentemente não apresentam marcação de modo no Karitiana. Esta pesquisa se foca nessas orações subordinadas com o intuito de observar de que maneira os falantes reconhecem o modo sem a marcação morfológica. Esta pesquisa escolhe as considerações de Storto (2002) como ponto de partida. A autora mapeou os seis modos no Karitiana, porém, a descrição desses modos é ainda superficial e necessita de aprofundamento. Logo esse trabalho se propõe inicialmente a tornar essa descrição mais consistente utilizando teorias modais que permitam checar os seis modos no Karitiana. As teorias que serão utilizadas na checagem dos modos são a de Palmer (1986), a de Lyons (1997) e a de Portner (2011), que darão as ferramentas necessárias para uma análise modal. A partir daí, este projeto focará o estudo dos modos nas sentenças subordinadas, pois aparentemente essas orações não apresentam marcação de modo. Assim, este trabalho visa entender como se identifica semanticamente os diferentes modos do nas subordinadas uma vez que elas não apresentam morfologia modal. Como Corpus do trabalho serão utilizadas as sentenças do discurso indireto. Nesse tipo de sentença o falante repete aquilo que já foi dito por outro falante, por exemplo, "JOÃO: eu quero comer!" se tornaria "MARIA: João disse que queria comer". A sentença dita por João é uma oração principal mas quando repetida por Maria ela vira uma subordinada. Logo, no Karitiana a sentença principal teria marcação modal, mas quando ela é repetida no discurso indireto ela perderia essa marcação.Entendendo-se que a marcação modal não necessita ser necessariamente morfológica, este projeto se dispõe a investigar outros elementos da oração em busca de algum vestígio que indique que uma possível marcação modal. Palmer (1986:06) exemplifica a interação entre a modalidade e a entonação dizendo que "dúvida ou falta de comprometimento são geralmente expressadas pela entonação em inglês" Palmer (1986:06) também afirma "[...] o uso de formas modais nas orações subordinadas dependem em certo grau da escolha dos itens lexicais da oração principal". Logo, tanto a entonação quanto o léxico da oração principal (verbo, preposição, conjunção) podem determinar a modalidade da oração subordinada.Ao final do estudo, a pesquisa pretende apresentar algum tipo de estrutura, seja ela fonológica, sintática ou lexical que indique que as sentenças subordinadas apresentem algum tipo de marcação modal. Caso tal estrutura não seja encontrada, a pesquisa pretende mostrar o porquê do Karitiana prescindir de uma marcação modal nas subordinadas.