Busca avançada
Ano de início
Entree

Tão culpada como Capitu: ficção, uxoricídio e política de gênero no tempo de Dom Casmurro

Processo: 13/04969-6
Linha de fomento:Bolsas no Brasil - Doutorado
Vigência (Início): 01 de julho de 2013
Vigência (Término): 31 de julho de 2017
Área do conhecimento:Ciências Humanas - História - História do Brasil
Pesquisador responsável:Sidney Chalhoub
Beneficiário:Daniele Maria Megid
Instituição-sede: Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH). Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). Campinas , SP, Brasil
Assunto(s):Literatura brasileira   Imprensa

Resumo

Dom Casmurro é das obras mais comentadas de Machado de Assis e integra o cânone da literatura brasileira. Por isso mesmo, muitas vezes seu requinte literário ganha tanto destaque, que acaba sendo negada a possibilidade de ser também texto com intenção de intervir socialmente. É a partir de tal constatação que se delineia a proposta de pesquisa apresentada neste projeto, que busca ler Dom Casmurro em interlocução com outras fontes escritas (periódicas e literárias) produzidas no período, a fim de perceber o romance como mais um capítulo dedicado a refletir acerca da sociedade brasileira na virada do século XIX para o XX. O intuito é radicar a obra ficcional machadiana em um panorama mais amplo de debates em que ela pode ter se envolvido, buscando reconhecer no texto literário um testemunho de mudanças ocorridas nas relações de gênero no Rio de Janeiro de fins do Oitocentos. De modo mais específico, será preocupação da pesquisa analisar com cuidado o caráter violento do protagonista e narrador de Dom Casmurro em situações que muitas vezes são compreendidas como lúdicas. O intuito é relacionar as ações punitivas de Bento Santiago com relação à esposa, aos riscos e violências a que outras mulheres como Capitu pudessem estar susceptíveis naquele período, procurando também conhecer as estratégias encontradas por essas mulheres para sobreviverem nesse cenário. Com isso, pretende-se observar como a obra ficcional de Machado de Assis possibilita a aproximação a uma cultura política feminina desenvolvida no século XIX. (AU)