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Aristóteles sobre percepção, phantasia e ceticismo

Processo: 13/18513-4
Linha de fomento:Bolsas no Exterior - Estágio de Pesquisa - Pós-Doutorado
Vigência (Início): 01 de janeiro de 2014
Vigência (Término): 31 de maio de 2014
Área do conhecimento:Ciências Humanas - Filosofia - História da Filosofia
Pesquisador responsável:Roberto Bolzani Filho
Beneficiário:Evan Robert Keeling
Supervisor no Exterior: Robert Bolton
Instituição-sede: Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH). Universidade de São Paulo (USP). São Paulo , SP, Brasil
Local de pesquisa : Rutgers The State University of New Jersey, New Brunswick, Estados Unidos  
Vinculado à bolsa:11/07035-9 - Perspectivas psicológicas e epistemológicas em Aristóteles, BP.PD
Assunto(s):Ceticismo   Epistemologia   Aristotelismo

Resumo

Houve recentemente um interesse renovado na filosofia aristotélica da mente. Uma das partes mais importantes da teoria geral de Aristóteles da alma ou da mente é a sua teoria da percepção. Ele afirma que, durante a percepção, a alma toma a forma do objeto que está sendo percebido. Assim, a alma pode de algum modo perceber uma pedra sem se tornar ela própria uma pedra. Na minha tese de doutorado, discuti a teoria da percepção de Aristóteles no que se refere ao problema das falsas percepções. Para além da percepção, Aristóteles reconhece também um outro processo, a que chama de phantasia - intimamente relacionado com a percepção, mas diferente dela -, que permite que certos tipos de representação ocorram. É neste processo que estou especialmente interessado. Em particular, quero compreender como Aristóteles usa a phantasia para explicar falsas percepções, conectando assim as opiniões de Aristóteles sobre a percepção e sobre a mente com a sua epistemologia. Para Aristóteles, as percepções básicas são infalíveis. (Ele as chama de percepções dos objetos especiais dos sentidos). Ele precisa, portanto, de uma explicação de como as percepções falsas são possíveis. Na minha tese, argumentei que Aristóteles introduz a phantasia (ou "aparência") em sua teoria para lidar com este problema. Meu objetivo nesta pesquisa é continuar a desenvolver essa ideia, obtendo uma melhor compreensão do que é a phantasia e de como ela interage com a percepção. A simples compreensão da natureza da phantasia é surpreendentemente controversa e difícil, tanto que alguns estudiosos dizem que a concepção de phantasia de Aristóteles é incoerente. Parte do problema é que ele parece acreditar tanto que a phantasia é um efeito colateral automático de percepção, como que ela é uma questão de escolha quando ocorre. Minha solução, embora seja preciso defendê-la com mais detalhes, é dizer que a percepção sempre produz certas imagens, mas que essas imagens muitas vezes passam despercebidas, e que elas podem ser trazidas à mente à vontade. Também é controverso dizer, como digo, que a phantasia pode se misturar com a percepção. Aristóteles nunca diz isso muito explicitamente. Penso que isso seja necessário uma vez que, na minha leitura, ele precisa da phantasia para explicar as falsas percepções. Isto implica que certos tipos de percepção são predicativos, e entendo que o que acontece é que uma imagem, ou uma memória, é predicada de um objeto percebido. Compreender melhor essas ideias levará a uma melhor compreensão da teoria da alma de Aristóteles, e de sua epistemologia em geral. (AU)