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O que é que cavalo sabe: um estudo antropológico sobre o vínculo humano-animal na equoterapia

Processo: 13/18940-0
Linha de fomento:Bolsas no Exterior - Estágio de Pesquisa - Mestrado
Vigência (Início): 01 de dezembro de 2013
Vigência (Término): 30 de abril de 2014
Área do conhecimento:Ciências Humanas - Antropologia
Pesquisador responsável:Felipe Ferreira Vander Velden
Beneficiário:Luna Castro Pavão
Supervisor no Exterior: Eduardo O. Kohn
Instituição-sede: Centro de Educação e Ciências Humanas (CECH). Universidade Federal de São Carlos (UFSCAR). São Carlos , SP, Brasil
Local de pesquisa : McGill University, Montreal, Canadá  
Vinculado à bolsa:12/16260-9 - O que é que cavalo sabe: um estudo antropológico sobre o vínculo humano-animal na equoterapia, BP.MS
Assunto(s):Interação homem-animal   Intersubjetividade   Terapia assistida por animais   Cavalos

Resumo

Sob perspectiva antropológica, a pesquisa proposta busca compreender como se delineia a interação humano-animal no interior de certa prática terapêutica contemporânea. O objetivo principal do estudo consiste em definir o lugar que animais não-humanos ocupam no cenário tecido pelas novas terapias urbanas, investigando-se o modo pelo qual os animais em questão são apreciados e avaliados pelos atores. Cabe analisar os papéis e estatutos que os cavalos detêm no interior dos grupos terapêuticos em tela, observando-se o modo de inserção destes animais neste contexto: estariam estes animais presentes apenas como auxiliares, num viés utilitarista (instrumentos, ferramentas, recursos) ou, mais do que isto, como agentes terapêuticos e, efetivamente, substitutos ou complementares aos terapeutas humanos? Estes procedimentos podem indicar a tônica do tratamento conferido a estes animais, e apontar, eventualmente, para certa reconfiguração política da categoria animal e do próprio vínculo humano-animal. Na equoterapia, os estatutos dos cavalos parecem variar entre auxiliares, trabalhadores e co-terapeutas, sugerindo que a agência imputada a estes animais pode estar em discussão. Neste sentido, noções de animalidade, humanidade, corpo e comunicação têm grande importância no cenário examinado, além das ideias de agência, intenção, controle, disciplina, além dos conceitos "becoming" e ecosemiose , e assim consolidam as principais questões teórico-etnográficas a serem desenvolvidas neste projeto. Além da linguagem verbal, humanos e cavalos na equoterapia se comunicam também por linguagem não-verbal, por meio do uso de gestos e contatos corporais, de forma a sugerir ao cavalo os movimentos a serem feitos. A comunicação, neste contexto, estabelece ligação entre humanos e animais mas parecem, sobretudo, pretender que o cavalo obedeça às condutas desejadas pelo humano, estabelecendo assim mecanismos de exercício de controle humano sobre a conduta do cavalo. Neste sentido, relações de poder parecem ser estabelecidas (Haraway, 2008), com graus de dependência e autonomia, regras e negociações corporais entre terapeutas, praticantes, auxiliar-guia e cavalos.Por outro lado, longe de serem tomados como recursos neutros, interlocutores parecem considerar que cavalos se impõem intencionalmente aos humanos quando se diz que os cavalos têm expectativas, reagem e desafiam, além de ser afetados e geram sinais de comunicação. Não obstante, o emprego terapêutico dos animais deve ser entendido à luz das concepções sociais mais abrangentes que estão na base do tratamento humano diante de seres não-humanos. Do ponto de vista antropológico, pensar a vida dos animais e o tratamento dado a eles implica pensar a existência do outro e as possíveis formas de convívios com estas alteridades. Todavia, tratar-se-ia de uma alteridade de outra ordem, já que não-discursiva e, como tal, coloca o desafio antropológico em ser compreendida como interlocutores na análise.Estudos antropológicos mais recentes oferecem novos modelos de pensamento que rediscutem posições sociais concedidas a estas alteridades, na medida em que as incluem enquanto seres agentivos no interior das sociedades humanas e, portanto, serão parte da análise. (Despret, 2004; Hayward, 2010; Haraway, 2008; Helmreich & Kirksey, 2010; Ingold, 2000; Kohn, 2002 e 2007).Palavras-chave: natureza e cultura, animalidade, humanidade, terapia com animais, equoterapia, intersubjetividade, agência, controle (AU)