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A rota inversa dos descobrimentos: o conceito de brasilidade em jornais lusitanos advindo com a presença de futebolistas e treinadores brasileiros em Portugal

Processo: 13/18479-0
Linha de fomento:Bolsas no Exterior - Pesquisa
Vigência (Início): 10 de janeiro de 2014
Vigência (Término): 04 de abril de 2014
Área do conhecimento:Ciências Sociais Aplicadas - Comunicação - Jornalismo e Editoração
Pesquisador responsável:José Carlos Marques
Beneficiário:José Carlos Marques
Anfitrião: Maria Salomé Fernandes Martins Marivoet
Instituição-sede: Faculdade de Arquitetura, Artes e Comunicação (FAAC). Universidade Estadual Paulista (UNESP). Campus de Bauru. Bauru , SP, Brasil
Local de pesquisa : Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias, Portugal  
Assunto(s):Sociologia do esporte   Futebol   Copa do mundo   Jornalismo

Resumo

Este projeto de pesquisa busca verificar como os jornais portugueses retrataram em suas páginas a presença de futebolistas e treinadores brasileiros que defenderam a Seleção Portuguesa em duas épocas distintas. No caso dos treinadores, temos inicialmente a presença do carioca Otaviano Martins Glória (mais conhecido por Otto Glória) no comando da equipe lusa na Copa do Mundo de Futebol de 1966. O outro treinador é o gaúcho Luiz Felipe Scolari, que permaneceu no comando da seleção de Portugal de 2002 a 2008 (nesse período, destacam-se o quarto lugar no Mundial de 2006 e o vice-campeonato europeu de 2004). No caso dos jogadores que obtiveram a nacionalidade portuguesa, temos os casos de Deco (Anderson Luís de Souza, naturalizado em 2002), Pepe (Képler Laveran Lima Ferreira, 2007) e Liedson (Liedson da Silva Muniz, 2009).A pesquisa busca investigar como a imprensa portuguesa operou os níveis de recorte e de reconstrução da noção de brasilidade diante da presença desses futebolistas e treinadores brasileiros atuando pela Seleção de Portugal em competições internacionais - em duas delas, aliás, enfrentando o Brasil em partidas de Copas do Mundo: em 1966, com o Portugal 3 x 1 Brasil na Inglaterra; e em 2010, com o Portugal 0 x 0 Brasil, na África do Sul. Partimos da hipótese de que, ao contrário do que ocorreu em 1966, quando a presença de Otto Glória na Seleção Portuguesa teve positiva aceitação do público e da imprensa lusitanas, a nova "invasão brasileira" do começo do Século XXI foi recheada de tensões e conflitos, os quais ganharam voz ampla na imprensa portuguesa, mas acabaram sendo silenciados em grande medida pela imprensa brasileira. Unidos historicamente pelo passado colonial, Portugal e Brasil vivem na década de 1960 um cenário peculiar. Enquanto o Brasil assistia ao início do Regime Militar de exceção que duraria até 1985, Portugal vivia os estertores de outro regime autoritário, o chamado Estado Novo, que vigorou de 1933 até 1974 e que teve como principal referência a figura de António de Oliveira Salazar, líder que viria a falecer em 1970. Se os momentos históricos e políticos das duas nações guardavam alguma similaridade, o mesmo não se pode dizer do plano futebolístico: o Brasil chegava ao Mundial de 1996 com a expectativa de vencer seu terceiro título de Copa do Mundo; já Portugal disputava o Mundial pela primeira vez e, surpreendentemente, alcançou o terceiro lugar - melhor resultado até então para um país estreante no torneio. Já no início do Século XXI, com as duas nações vivenciando o amplo funcionamento de suas instituições democráticas, Portugal surge no cenário futebolístico mundial como um dos principais mercados para profissionais brasileiros. Numa rota inversa dos descobrimentos marítimos, o novo milênio aponta para um fluxo contrário de imigração, em que a ex-metrópole se vê às voltas com o protagonismo da ex-colônia, num universo desportivo sempre permeável a manifestações de xenofobia. Para dar conta destas leituras, a noção de brasilidade será entendida aqui como característica distintiva do país e do brasileiro, a partir da contribuição seminal de sociólogos e antropólogos, como Gilberto Freyre, Sérgio Buarque de Hollanda, Darcy Ribeiro e Roberto DaMatta. A partir de conceitos da Análise do Discurso de linha francesa, a pesquisa procurará analisar o discurso textual e imagético dos seguintes jornais portugueses: os generalistas Diário de Notícias, Público e Jornal de Notícias; e os jornais esportivos A Bola, Record e O Jogo. (AU)

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