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A dupla acusação de Luciano de Samósata: tradução e estudo da concepção de gênero dialógico de Luciano

Processo: 13/18992-0
Linha de fomento:Bolsas no Brasil - Iniciação Científica
Vigência (Início): 01 de março de 2014
Vigência (Término): 31 de dezembro de 2014
Área do conhecimento:Linguística, Letras e Artes - Letras - Literaturas Clássicas
Pesquisador responsável:Marcos Martinho dos Santos
Beneficiário:Fernando Luis Schirr
Instituição-sede: Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH). Universidade de São Paulo (USP). São Paulo , SP, Brasil
Assunto(s):Diálogo   Retórica

Resumo

A dupla acusação ocupa uma posição central na compreensão das características do logos luciânico. Como se pode depreender do título e da disposição do diálogo, o objetivo do autor parece ser discutir aspectos de sua obra e legitimar a sua criação literária, o diálogo cômico. A obra divide-se em três partes: um prólogo no Olimpo (cap. 1-7), de onde Zeus envia Hermes e Justiça a Atenas, afim de instituir uma sessão judicial; uma cena de transição, onde as duas divindades dialogam sobretudo acerca dos filósofos e, tendo aterrissado, conversam com Pan; e por fim, uma cena de preparação e julgamento dos processos (12-35), onde após uma série de discursos de acusação e defesa (Embriaguês X Academia, Stoa X Prazer-Epicuro, Luxúria X Virtude, Banco X Diógenes, Pintura X Pírron) Luciano se defende de duas acusações. Retórica, sua esposa legítima, acusa-o de maus-tratos, por tê-la preterido em favor de seu amante, Diálogo, que, por sua vez, o acusa de violência, por lhe não ter respeitado as convenções. Além desta obra ser, pelo seu caráter polimórfico e pela mistura de gêneros, um ótimo exemplo do logos luciânico, é também onde, mais detidamente, Luciano aborda as inovações feitas no gênero dialógico. Neste contexto judicial, por um lado, as características do gênero dialógico, tal como nos diálogos platônicos, configuram-se em oposição às da retórica, por outro, as características do diálogo cômico delineiam-se por meio do contraste com as do diálogo filosófico. No presente trabalho, apresentamos a tradução dessa obra, acompanhada de notas explicativas, que buscam esclarecer as alusões literárias, as referências históricas e o emprego de expedientes retóricos. Na tradução, levando em consideração os limites da versão do grego ao português, buscaremos reproduzir os efeitos estilísticos do texto original. Como introdução, apresentamos um estudo dividido em duas partes. No primeiro capítulo, pautando-nos em considerações de autores antigos (Luciano, Platão, Aristóteles, Diógenes Laércio, Cícero) bem como de pesquisadores contemporâneos (HIRZEL: 1895; BOMPAIRE: 1956; BRAUN: 2004; CHIRON: 2003), pretendemos investigar qual é a concepção de gênero dialógico apresentada por Luciano e como ela se constrói em oposição à retórica. Nesta obra, enquanto Diálogo tem Platão como modelo, apresenta-se como um velho barbudo, filho de Filosofia, e se caracteriza pela sucessão de perguntas e respostas, pela mikrología, pelo público reduzido e pelo tratamento de temas filosóficos, Retórica tem Demóstenes como modelo, apresenta-se ora como esposa fiel ora como cortesã, e se caracteriza pelo discurso ininterrupto (onde o destinatário é simples ouvinte), pela makrología, pelo auditório numeroso e pela vinculação a questões civis. No segundo capítulo, nossa intenção é investigar as diferenças entre as duas práticas dialógicas e tratarmos das características particulares do diálogo luciânico, formado a partir da inserção de elementos de diversas naturezas ao diálogo filosófico: uma forma de expressão, (úö¼¼±), um gênero literário (2±¼²¿Â), uma escola filosófica (ºÅ½¹Ã¼ÌÂ) dois representantes da comédia antiga (Aristófanes e Êupolis), e Menipo, todos esses relacionados com o riso rebaixador. Para tanto, deveremos apoiar-nos nas reflexões do próprio Luciano, presentes não só n'A dupla acusação, mas noutras obras suas: Zêuxis; Âmbar; Tu és um Prometeu em teus discursos; O Pescador.