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O termo médio na dedução e na demonstração segundo Aristóteles

Processo: 13/22513-0
Linha de fomento:Bolsas no Exterior - Estágio de Pesquisa - Pós-Doutorado
Vigência (Início): 01 de janeiro de 2014
Vigência (Término): 31 de maio de 2014
Área do conhecimento:Ciências Humanas - Filosofia - História da Filosofia
Pesquisador responsável:Marco Antônio de Ávila Zingano
Beneficiário:Jean-Louis André Bernard Hudry
Supervisor no Exterior: Ahmed Hasnaoui
Instituição-sede: Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH). Universidade de São Paulo (USP). São Paulo , SP, Brasil
Local de pesquisa : Université Paris Diderot - Paris 7, França  
Vinculado à bolsa:11/03425-7 - Sobre o intelecto em Aristóteles, BP.PD

Resumo

A concepção aristotélica do intelecto (nous) tem um papel central nos Segundos Analíticos, na medida em que um processo de intelecção fornece as justificações para as premissas indemonstráveis de uma demonstração científica. Estas premissas são uma primeira premissa (a maior) imediata e uma premissa última (a menor), introduzida pelo termo médio. Meu projeto de pesquisa para a BEPE visa a mostrar como o termo médio de uma demonstração está na base da distinção entre dedução e demonstração. Em toda dedução simpliciter, o termo médio ocupa uma posição formal entre o primeiro e o termo último. Contudo, no tocante à demonstração, o termo médio é mais do que um termo formal, visto ser a prova ou justificação que garante a conclusão demonstrativa. Os Primeiros Analíticos (cf. B 23 68b15-37) introduzem dois tipos de dedução: a dedução por meio do termo médio (demonstrativo) e a dedução por meio de indução (epagôgê). Em uma dedução por meio do termo médio, a primeira premissa é imediata (amesos) e a última premissa está em mediação com a primeira premissa por meio do termo médio (meson). Em uma dedução por meio de indução, a primeira premissa nunca é imediata, pois é a conclusão deduzida de uma outra dedução. Tampouco a última premissa introduz um termo médio demonstrativo (a saber, uma prova ou explicação), visto ser uma premissa justificada meramente por indução. Este projeto de pesquisa visa a explicar por que a dedução por meio do termo médio é anterior à dedução por indução. Enquanto a primeira é mais cognoscível por natureza, a última é mais acessível por percepção. O contraste entre o que é primeiro por natureza e o que é primeiro para nós é introduzido nos Segundos Analíticos (A 2 71b33-72a5) e Aristóteles repete esta posição em várias outras obras. A primazia da dedução pelo meio termo implica que este tipo de dedução pode ser um conhecimento demonstrativo, já que o termo médio fornece uma prova abstrata ou explicação. Por outro lado, é impossível que a dedução por indução seja um conhecimento demonstrativo. Ela é somente uma dedução dialética, investigada nos Tópicos de Aristóteles. A indução é frequentemente necessária para o conhecimento demonstrativo, mas não é por si própria suficiente, visto que o conhecimento lida com universais abstratos, a saber, os gêneros e suas diferenças. Se o conhecimento demonstrativo definir uma macieira, o fará subsumindo-a ao gênero 'planta', o que a indução não pode por si própria gerar. No melhor dos casos, a indução dirá que a macieira é uma árvore ou uma árvore frutífera. Em outras palavras, se o que é primeiro e mais cognoscível está indiretamente relacionado com a percepção, isso não significa que é diretamente acessível por meio dela, e este contraste ilustra perfeitamente a distinção aristotélica entre a dedução pelo termo médio e a dedução por indução. A este respeito, o termo médio é o termo chave da concepção aristotélica do conhecimento demonstrativo. (AU)