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Feminismo e novas práticas de resistência: uma análise discursiva da Marcha das Vadias

Processo: 13/14539-9
Linha de fomento:Bolsas no Brasil - Mestrado
Vigência (Início): 01 de maio de 2014
Vigência (Término): 31 de março de 2015
Área do conhecimento:Linguística, Letras e Artes - Linguística
Pesquisador responsável:Mónica Graciela Zoppi Fontana
Beneficiário:Tyara Veriato Chaves
Instituição-sede: Instituto de Estudos da Linguagem (IEL). Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). Campinas , SP, Brasil
Assunto(s):Análise do discurso   Feminismo   Identidade de gênero   Movimentos sociais

Resumo

Buscamos compreender os sentidos de vadia nos/pelos discursos dos Coletivos Marcha das Vadias no Facebook articulando em nossa reflexão o sujeito, a história e a língua. Observamos que a vadia pode ser tomada como uma evidência produzida nos dizeres que significam a mulher, em grande medida, pelos usos do corpo - o que o cobre, o quanto se descobre, os espaços que ocupa, quantos o tocaram - em condições sócio-histórico-ideológicas. Observamos também que o surgimento do movimento Marcha das Vadias parece causar uma agitação nas filiações sócio-históricas de identificação (PÊCHEUX, 1983) que constituem os sentidos logicamente estabilizados sobre os sujeitos. Tal movimento surgiu em 2011 quando a Universidade de Toronto registrou inúmeras ocorrências de abuso sexual em seu campus e organizou uma palestra, onde um policial orientou que as alunas evitassem se vestir como vadias para não serem estupradas. Em consequência deste dizer, cerca de três mil pessoas foram às ruas no Canadá protestar contra a culpabilização de mulheres vítimas de violência sexual. Desde então, a Marcha ganhou proporções mundiais, já tendo sido realizada em várias cidades brasileiras. Acredita-se que a utilização da palavra vadia ao discurso de Coletivos Marcha das Vadias produz na memória uma ruptura-acontecimento. Sendo assim, este projeto de mestrado se volta para a relação entre língua, sujeito e ideologia, filiando-se à análise de discurso materialista, pretendemos pesquisar como o sujeito se identifica/significa nos/pelos discursos em seus movimentos de resistência sob a dominação ideológica, partindo da pergunta: como os discursos dos Coletivos Marcha das Vadias constituem sentidos sobre a vadia? Considerando as relações de desigualdade-contradição-subordinação próprias de uma formação discursiva, nossa hipótese é que tais dizeres caracterizam um acontecimento discursivo, causador de uma ruptura, uma interrupção e fazendo emergir novas posições-sujeito. Por isso, delineamos como objetivo analisar os efeitos de sentido que circulam nos discursos dos Coletivos Marcha das Vadias do Brasil no Facebook e os deslocamentos que produzem uma ruptura na memória sobre a vadia. A pesquisa se desenvolverá a partir: 1) das reflexões entre as relações do discurso da militância política com o formato publicitário no digital; 2) da seleção de corpus discursivo dos Coletivos Marcha das Vadias Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Curitiba no Facebook; 3) da análise do corpus discursivo através dos princípios teóricos e procedimentos metodológicos da teoria materialista do discurso em interface com os estudos feministas e de gênero. A escolha da teoria materialista do discurso como dispositivo de análise justifica-se por ser um campo de reflexões constituído pela heterogeneidade, onde a linguagem é tomada na sua relação com o histórico, o social e o ideológico (PECHÊUX, 1975), proporcionando subsídios para analisar os movimentos de resistência e os efeitos de exclusão e silenciamento que incidem sobre os processos de construção discursiva do sujeito. Também propomos um diálogo entre a Linguística e os Estudos Sociais cujas discussões giram em torno da incorporação da categoria gênero, problematizando a sexualização da experiência humana no discurso. Na procura por algumas respostas, a pesquisa se desenvolverá não em busca do sentido, mas de trajetos sócio-históricos de sentidos que projetam futuridades. Procuramos, através do batimento entre descrição/interpretação, compreender o modo como o sujeito se constitui e se identifica ante ao simbólico, seus gestos de resistência, sua inscrição em redes de memória e as condições ideológicas que permitem, a partir da noção de acontecimento discursivo (PÊCHEUX, 1983), uma ruptura, uma interrupção e a emergência de novas posições-sujeito. (AU)

Publicações acadêmicas
(Referências obtidas automaticamente das Instituições de Ensino e Pesquisa do Estado de São Paulo)
CHAVES, Tyara Veriato. Da Marcha das Vadias às vadias da marcha : discursos sobre as mulheres e o espaço. 2015. Dissertação de Mestrado - Universidade Estadual de Campinas. Instituto de Estudos da Linguagem.

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