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Em cena, o espetáculo: restauro, cultura e memória no centenário do Teatro Municipal de São João da Boa Vista

Processo: 14/10116-9
Linha de fomento:Bolsas no Brasil - Iniciação Científica
Vigência (Início): 01 de agosto de 2014
Vigência (Término): 30 de junho de 2015
Área do conhecimento:Ciências Humanas - História - História do Brasil
Pesquisador responsável:Maria Inez Machado Borges Pinto
Beneficiário:Luis Pedro Dragão Jeronimo
Instituição-sede: Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH). Universidade de São Paulo (USP). São Paulo , SP, Brasil
Assunto(s):História da cultura   Memória cultural   Teatro   São João da Boa Vista (SP)

Resumo

Em novembro de 1914, inaugurava-se nas terras cobertas de café do município de São João da Boa Vista o melhor Teatro Municipal do interior do estado de São Paulo até então. Grande parte de sua estrutura e quase todo o acabamento, exceto as finas madeiras, foram importadas da Europa pela elite daquela cidade de 38.000 habitantes do período. O café foi o impulso. Para o Teatro. Para a cidade. Para a modernização daquele pedaço de terra situado no sopé da Serra da Mantiqueira. Com a crise de 1929, o fausto desapareceu das terras sanjoanenses e o imponente Teatro se viu mergulhado na mais profunda decadência. Rinque de patinação, sala de cinema e depois a cogitada demolição para a construção de um estacionamento em seu terreno foram seu destino. Até a década de 1980, o gigante decadente que se encerrava atrás da Catedral dedicada a São João Batista, era uma cicatriz no então belo centro da cidade, mas que já dava sinais de especulação imobiliária. Paulatinamente, os casarões daqueles que construíram seu Teatro-monumento foram sendo arrasados e novos prédios, de 10, 20 andares, surgiram. Apenas uma das antigas casas e o Teatro restaram. A casa, de uma família abonada, resistia bravamente, mas o decadente e já há uma década fechado CineTeatro era ameaçado pela diminuição da fortuna de seu dono e da sedutora proposta de demolição e construção de algo mais "rentável". Com a ameaça de perder-se uma das "joias da Coroa" da cidade, a prefeitura, na primeira metade da década de 1980, decidiu se movimentar e impedir a arbitrária demolição. Apoiado pela população, o então prefeito comprou, em duas partes, o CineTeatro e iniciou-se a restauração do prédio para que este voltasse a ser um Teatro Municipal de fato. Durante cerca de dezesseis anos, o restauro envolveu uma grande equipe de conceituados profissionais que dedicaram grande arte neste processo. Ficando pronto em 2002, hoje resgata um passado glorioso da cidade que em cem anos, apenas duplicou sua população em relação a 1914, ano da inauguração do Teatro. Seu público atual é muito diferente daquele dos anos 1910 ou 1920 e seu espaço consiste num grande incentivo para a cultura sanjoanense. No renovado Teatro, hoje se apresentam desde a Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo (OSESP) até shows de pagode. De peças de Shakespeare até monólogos de artistas locais. A cultura e a diversão se misturam. O popular e o "culto" dividem o mesmo espaço. Se posiciona também como lugar de memória, de pertencimento. Faz parte da história de São João da Boa Vista, da sua cultura, assim como as sanjoanenses Pagú e Guiomar Novaes. O Teatro propõe ser a casa de todos os espetáculos, com suas portas abertas para quem quiser entrar, mas a questão que instiga este projeto é se o Teatro Municipal de São João da Boa Vista realmente é enxergado pela maioria da sua população como um lugar de memória, de pertencimento e de cultura. Muitos de seus espetáculos são gratuitos, mas é impossível ignorar a barreira que aquele prédio construído com materiais importados, mármore italiano, espelho veneziano e lustres de cristal da Boêmia causa no seu público menos favorecido. A entrada de muitos espetáculos é franca, mas a questão do "pode entrar com a roupa que estou?" que muitos fazem não pode ser ignorada. Temos um Teatro de imponente arquitetura, de grande valor histórico, de grande riqueza. Temos um local que passou por uma ressignificação, de local de elite para local de todos, em tese. Temos um local que é desafiado desde seu restauro a ser realmente um local de todos, ou melhor, de todos os públicos (de orquestra sinfônica a grupos de pagode). Visamos, nesta investigação, apontar os desafios de ser popular mesmo vestido de fraque, de ser de todos mesmo que muitos não saibam que podem cruzar sua soleira e de se conservar este espaço. De ser palco de Cultura e Memória para todos e de restaurar a História de São João da Boa Vista num reluzente espetáculo que completa este ano seu centenário. (AU)