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Educação pela máscara: literatura e ideologia burguesa no Brasil (1856-1880)

Processo: 14/10327-0
Linha de fomento:Bolsas no Exterior - Estágio de Pesquisa - Pós-Doutorado
Vigência (Início): 10 de outubro de 2014
Vigência (Término): 30 de julho de 2015
Área do conhecimento:Ciências Humanas - Sociologia
Pesquisador responsável:Leopoldo Garcia Pinto Waizbort
Beneficiário:Rodrigo Soares de Cerqueira
Supervisor no Exterior: Leopoldo M. Bernucci
Instituição-sede: Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH). Universidade de São Paulo (USP). São Paulo , SP, Brasil
Local de pesquisa : University of California, Davis (UC Davis), Estados Unidos  
Vinculado à bolsa:13/05214-9 - Educação pela máscara: literatura e ideologia burguesa no Brasil (1856-1880), BP.PD
Assunto(s):Gêneros literários   Romance   Burguesia   Ideologia

Resumo

Essa pesquisa, iniciada em junho de 2013, busca retomar a relação entre sociologia e literatura de acordo com algumas reflexões teóricas de Franco Moretti. Em um ensaio programático, "Conjectures on World Literature" (in 'Distant reading'), no qual ele se debruça em certos impasses por que passa o campo dos estudos literários, Moretti escreve: "É por isso que a morfologia comparativa é um campo tão fascinante: estudando como as formas variam, descobre-se como o poder simbólico varia de lugar para lugar" (p. 59). Dessa forma, partindo desse pressuposto, o presente trabalho selecionou um elemento formal -- o protagonista da ficção brasileira oitocentista -- de modo a, mapeando suas transformações ao longo narrativas e peças, refletir a respeito da formação social e simbólica de uma sociedade politicamente recém-emancipada. Nosso processo de independência ocorreu sem a ruptura radical que a tradição crítica marxista julga necessária para a superação de formações sociais tradicionais. Assim, nada mais natural do que assumir que, devido à inserção do protagonista moderno numa lógica social que tendia a vê-lo com suspeição, a representação do sistema de valores que eles incorporam -- mobilidade, insatisfação, ambição, autonomia etc. -- só poderia ser levada a cabo depois de um longo e tortuoso caminho; um caminho que envolve tanto o desenvolvimento da própria forma literária, quanto as transformações por que passa a sociedade brasileira nesse momento de emersão da ordem social competitiva. Essa perspectiva morfológica também implica a retomada do conceito de gênero, que não deve mais ser pensado segundo uma correlação rígida entre o contexto sócio-histórico e as convenções literárias que lhe dá forma, mas como um mecanismo de solução de problemas simbólicos. Assim, a reorganização de elementos formais nos romances e peças de Joaquim Manuel de Macedo, José de Alencar e Machado de Assis são um bom lugar para se entender as demandas ideológicas do nosso século XIX, cuja principal preocupação era com a introdução de uma forma de vida mais liberal. (AU)