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Translatio imperii: o fim dos séculos de ouro ibéricos e a gestação da monarquia do Rei-Sol

Processo: 14/12766-0
Linha de fomento:Bolsas no Exterior - Estágio de Pesquisa - Pós-Doutorado
Vigência (Início): 01 de novembro de 2014
Vigência (Término): 30 de junho de 2015
Área do conhecimento:Ciências Humanas - História - História Moderna e Contemporânea
Pesquisador responsável:Paulo Celso Miceli
Beneficiário:Mariana Osue Ide Sales
Supervisor no Exterior: Pierre Civil
Instituição-sede: Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH). Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). Campinas , SP, Brasil
Local de pesquisa: Université Sorbonne Nouvelle - Paris 3, França  
Vinculado à bolsa:12/23154-0 - Translatio imperii : o fim dos séculos de ouro ibéricos e a gestação da monarquia do rei-Sol (1615-1661), BP.PD
Assunto(s):História cultural

Resumo

Principal ministro da França (1643-1661), Giulio Mazarino foi também um grande bibliófilo. Ele constituiu uma das mais importantes bibliotecas da Europa de seu tempo, considerada a primeira pública da França.A profusão de documentos históricos e diplomáticos se deve a ao menos duas razões: a necessidade que o ministro e outros representantes da monarquia francesa tinha de se manter bem informado sobre a vasta política europeia que ele orquestrou, marcada pelos tratados de Vesfália (1648) e dos Pireneus (1659). Inúmeros diplomatas, conhecendo a bibliofilia do ministro, ofereciam-lhe manuscritos e impressos raros, antigos, ou cujo conteúdo tinha relação com as questões que tinham a incumbência de defender. Se, de modo geral, os livros foram usados como meio de propaganda junto do ministro, a qualidade singular dos textos sobre o passado comum franco-ibérico suscitaram o interesse de fazer um estudo deste corpus específico que figurava na biblioteca.O objetivo deste projeto é fazer uma contribuição ao campo da história do livro, da leitura e da comunicação política, através do estudo dos usos potenciais da biblioteca na reflexão da diplomacia franco-ibérica do período de 1643 e 1653, quando este sob a responsabilidade de Gabriel Naudé, personagem essencial à compreensão da coleção, em razão da sua concepção de biblioteca e da importância que ele acordava a recolha de textos filosóficos, morais, históricos, políticos, e seus usos na formação e informação dos agentes do Estado francês.O mundo ibérico era considerado como relevante pelo bibliotecário e foi evocado nos textos que publicou. Ele considerava a Espanha uma das maiores inimigas da França e podemos imaginar a atenção especial que ele deve conferido à recolha de textos sobre o império espanhol e português, no período em que a Restauração portuguesa (1640) não havia sido reconhecida pela Espanha e por outros poderes europeus. Mazarino foi solicitado a negociar em favor do novo estatuto reclamado pelos representantes dos Bragança. Neste estudo, buscamos compreender se estas questões deixaram uma marca na biblioteca e como os livros podem colaborar à melhor compreensão das relações franco-ibéricas. Naudé também afirmava a relevância da recolha e estudo dos documentos diplomáticos de um ponto de visa histórico e considerava o reinado de Luís XI (1461-1483) como modelo. Enquanto pesquisa desenvolvida no domínio da História, conferimos grande atenção a importância que o bibliotecário acordava ao conhecimento histórico para pensar a política de seu tempo.A pesquisa resultará em uma publicação composta de duas partes: um estudo sobre as hipóteses dos usos políticos. A segunda parte faz a divulgação dos manuscritos e impressos relativos à cultura franco-ibérica que figuraram na coleção.Este projeto foi concebido especialmente para que pudéssemos fazer uma análise da biblioteca de Mazarino e desenvolver métodos de pesquisa histórica para compreender como os impressos e manuscritos conservados na coleção podem ter contribuído a maturação das ideais políticas e da ação diplomática franco-ibérica. A pesquisa não privilegia o estudo da diplomacia em si, nem sugere que a biblioteca é a principal chave à sua compreeensão, mas se preocupa em compreender o papel desta extraordinário biblioteca privada na informação dos representantes da monarquia francesa do século XVII. Embora específica, pois centrada somente no universo franco-ibérico, os métodos desta pesquisa também contribuem ao estudo da política internacional francesa de modo ainda mais largo, a partir da biblioteca do ministro.Seu bom termo depende do acesso a impressos e manuscritos conservados principalmente em três bibliotecas parisienses, a atual Biblioteca nacional de França, que conserva os manuscritos que pertenceram a Mazarino e parte dos impressos, a Biblioteca Sainte-Geneviève, onde Naudé, sob a ameaça de desmembramento da biblioteca durante a Fronda (1648-1653), também guardou parte da coleção, e na Bibliote (AU)