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Feminismo islâmico: mediações discursivas e limites práticos

Processo: 13/21650-3
Linha de fomento:Bolsas no Brasil - Doutorado
Vigência (Início): 01 de agosto de 2014
Vigência (Término): 30 de abril de 2017
Área do conhecimento:Ciências Humanas - História - História Moderna e Contemporânea
Convênio/Acordo: Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES)
Pesquisador responsável:Peter Robert Demant
Beneficiário:Valdecila Cruz Lima
Instituição-sede: Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH). Universidade de São Paulo (USP). São Paulo , SP, Brasil
Assunto(s):Islamismo   Feminismo   Muçulmanos

Resumo

A pesquisa proposta aqui tem como objeto de estudo o feminismo islâmico, movimento político-religioso de luta contra a opressão e a dominação sobre a população de mulheres, presente em países muçulmanos e em diásporas muçulmanas. Concebido aqui lato sensu como uma atuação feminista associada à reinterpretação das fontes religiosas do Islã, baseando-se nos conceitos islâmicos, ijtihad (interpretação livre e racional das fontes religiosas) e tafsir (comentários sobre o Alcorão), para repensar a posição da mulher na sociedade muçulmana. A hipótese que conduz a presente investigação é a de que o feminismo islâmico pode ser pensado a partir de dois eixos constitutivos, intrinsecamente interligados: 1) a separação em duas vertentes, de um lado, um ativismo religioso, auto-definido como "jihad de gênero", cujas reivindicações parecem sobrepor o Islã aos direitos das mulheres, e, de outro, um ativismo político, definido aqui como defensor dos direitos humanos internacionais, que atua no sentido de aplicar ao Islã os direitos das mulheres; e, 2) a recepção conforme a situação demográfica, pois podem ser observadas variações na recepção dessa bipartição do feminismo islâmico conforme aspectos como situação social, participação política e relação com a ortodoxia religiosa. Assim, o objetivo principal desta pesquisa é o de compreender quais as contribuições do feminismo islâmico para a transformação da vida da mulher muçulmana, considerando duas questões centrais: a) como se pode compreender a relação do feminismo islâmico com os movimentos islamistas? e b) em que medida o caráter religioso do feminismo islâmico pode ser o limitador (ou extensor) de seu caráter feminista? Para tal, será feita uma abordagem dos seguintes recortes temáticos, que inicialmente parecem abarcar todos os aspectos mais evidentes do objeto de estudo, na perspectiva proposta aqui: 1) o feminismo secular de origem ocidental e seus desdobramentos no mundo muçulmano, entre a secularização e a reislamização; 2) as afinidades passadas e presentes do feminismo islâmico com a ideologia, o movimento e o modelo islamista; 3) a compatibilidade do feminismo islâmico com a xaria (sua possibilidade de integração a essa jurisprudência islâmica); e, 4) o grau de persuasão em que o feminismo islâmico pode estar intervindo na consciência e nas práticas sociais, considerando suas contradições. (AU)