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Língua, literatura e geograficidade na geografia de Dona Benta, de Monteiro Lobato

Processo: 14/21402-2
Linha de fomento:Bolsas no Brasil - Doutorado
Vigência (Início): 01 de janeiro de 2015
Vigência (Término): 31 de dezembro de 2017
Área do conhecimento:Ciências Humanas - Geografia - Geografia Humana
Convênio/Acordo: Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES)
Pesquisador responsável:João Pedro Pezzato
Beneficiário:Filipe Rafael Gracioli
Instituição-sede: Instituto de Biociências (IB). Universidade Estadual Paulista (UNESP). Campus de Rio Claro. Rio Claro , SP, Brasil
Assunto(s):Literatura infantojuvenil   Livro didático

Resumo

O ponto de partida da pesquisa será estabelecer uma investigação associativa entre a escrita da obra Geografia de Dona Benta por Monteiro Lobato, publicada em 1935, e a possibilidade de sua visitação à obra Le tour de la France par deux enfants, publicada por G. Bruno em 1877 na França pós-iluminismo. A hipótese de nosso trabalho é a de que, a julgar pela alfabetização junto a sua avó Lobato tenha contatado a obra de G. Bruno por se tratar de uma literatura clássica para as crianças das elites cultural e econômica europeia e brasileira, a qual Lobato endossava. A proximidade de conteúdo entre a viagem realizada pelos personagens da Geografia de Dona Benta e a viagem realizada pelos personagens de G. Bruno, a saber, a busca pela exploração do território brasileiro e francês, respectivamente, além do objetivo de ressaltar a pátria no contexto insurgente do Estado-nação, essa proximidade dá-nos um indício para a hipótese levantada. A importância do estudo reside na maneira como Lobato desenvolve a sua narrativa e apresenta a ideia de pátria à infância: se no Le tour de la France par deux enfants G. Bruno se utiliza da viagem real por dois meninos pelo território francês, na Geografia de Dona Benta a viagem se faz pela imaginação da criança leitora. Na defesa do autor brasileiro podemos dizer que sua obra permitiu ao leitor entrar em contato com um mundo em que ele se sentisse pertencente ao modo como quisera imaginá-lo, e não apenas contatá-lo in loco, como fizeram os personagens de G. Bruno. Além disso, é em Lobato que a língua adquire contornos de instrumento para o pensamento. Se a língua é o que nos resta e a ela não se pode escapar, há de fazê-la curvar-se ao experienciado. Em Lobato a língua vem para significar-nos uma realidade nunca antes experimentada na literatura universal no ocidente, quer seja, a de permitir em meio a um contexto cultural de classificações e de idiossincrasias a possibilidade de expansão do pensamento, envolvendo consigo os limites da imaginação e da criação cujo aceite, no período da escrita da Geografia de Dona Benta, demonstrava crescimento especialmente por vias de pensadores como Vigotsky e Freud, por exemplo. Destas colocações intentamos:1.Investigar as relações entre a Geografia como conhecimento escolar e científico com a Literatura e a linguagem escrita, especialmente no período entre os anos de 1889 a 1930, utilizando a Geografia de Dona Benta como obra de apoio;2.A defesa da língua e da linguagem escrita como formadoras de uma Geografia literária brasileira e sua contribuição para a criação de uma geograficidade no pensamento geográfico nacional;3.Investigar as relações entre a disciplina de Geografia escolar com a Geografia científica e suas contribuições para a formação do pensamento de Geografia expressado no Brasil, no período estabelecido;4.Investigar e compreender as relações exercidas pela influência do pensamento geográfico escolar expressado pelo livro didático de Geografia do início do século XX (1889-1930) e a sua participação no pensamento geográfico científico brasileiro.5.Discutir a relação entre as linguagens literária e geográfica expressadas na Geografia de Dona Benta e as expressadas nos livros didáticos de Geografia contemporâneos a obra. O referencial teórico utilizado será o paradigma indiciário, proposto por Carlo Guinzburg em sua obra Mitos, emblemas, sinais: morfologia e história (1999) em que chama-nos a atenção para a percepção dos indícios contidos na escrita textual que cabem ao leitor identificá-los e decifrá-los, para um entendimento do discurso proposto pelo escritor. Esperamos desenvolver uma argumentação que caminhe no rumo da exaltação do pensamento de Monteiro Lobato e de sua Geografia não somente pela importância didática, mas principalmente pela força que atribui à língua e à linguagem como chaves para o entendimento e formação do pensamento geográfico brasileiro no sentido do questionamento dos cânones deste campo de conhecimento. (AU)

Publicações acadêmicas
(Referências obtidas automaticamente das Instituições de Ensino e Pesquisa do Estado de São Paulo)
GRACIOLI, Filipe Rafael. Língua, literatura e geografia : uma experiência de leitura da Geografia de Dona Benta de Monteiro Lobato e do Le tour de la France par deux enfants de G. Bruno. 2018. Tese de Doutorado - Universidade Estadual Paulista "Júlio de Mesquita Filho" Instituto de Biociências (Campus de Rio Claro)..

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