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Com as próprias mãos: pessoa, corpo, arma e a prática de artes marciais nos exércitos modernos

Processo: 14/21003-0
Linha de fomento:Bolsas no Brasil - Mestrado
Vigência (Início): 01 de março de 2015
Vigência (Término): 28 de fevereiro de 2017
Área do conhecimento:Ciências Humanas - Antropologia
Pesquisador responsável:Piero de Camargo Leirner
Beneficiário:Lucas Alexandre Pires
Instituição-sede: Centro de Educação e Ciências Humanas (CECH). Universidade Federal de São Carlos (UFSCAR). São Carlos , SP, Brasil
Assunto(s):Militares   Exército   Artes marciais

Resumo

De acordo com uma série de estudos que as ciências sociais realizaram sobre militares pelo menos desde os anos 1950, é notório que temas como a disciplina, hierarquia, funções e representações militares têm uma ligação estreita com uma problemática antropológica das técnicas corporais e da fabricação do corpo. Tomando o cruzamento desses temas, este projeto de pesquisa tem como objetivo verificar em que medida a prática de artes marciais nas academias militares brasileiras influencia na "fabricação de corpos" e na "domesticação da pessoa" militar, bem como o constante adestramento em tais práticas pode sugerir uma complexa ligação entre as noções de corpo, arma e combate entre militares. Partindo da ideia desenvolvida na subárea conhecida como "antropologia dos militares", de que a hierarquia pode ser tomada como uma "continuação da guerra por outros meios", busco também dar continuidade a estes estudos a partir da perspectiva do corpo humano como instrumento técnico, pensando as capacidades físico/intuitivas através da prática das artes marciais como objetos e/ou artefatos da disciplina militar, e esta como substância da hierarquia, e, portanto, elemento central da vida militar. Assim, através do trabalho etnográfico em academias militares e da retomada de uma literatura que enfoca estas questões, pretendemos observar como os mecanismos hierárquicos e disciplinares operam no interior de uma linguagem privilegiada para o entendimento de como as artes marciais efetivam um ponto nodal da pessoa, do corpo e do artefato (arma). Entre outros elementos de interesse, percebemos, através de incursões prévias ao campo, que as hierarquias das artes marciais se imbricam e se transformam com as hierarquias militares, e vice-versa. Seguindo esta pista, pensamos que o estudo da relação entre ambas as hierarquias pode ser uma chave para entender como a prática das artes marciais é pensada e vivida dentro das academias militares, seja só como técnicas eficazes de combate, seja como linguagem para classificar e selecionar por méritos aqueles que se empenham em disciplinar seus corpos e mentes, e assim entender de forma mais ampla as implicações da relação entre corpo e socialidade militar. (AU)