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O papel da matéria nos livros Z e H da Metafísica de Aristóteles

Processo: 14/17154-3
Linha de fomento:Bolsas no Brasil - Pós-Doutorado
Vigência (Início): 01 de fevereiro de 2015
Vigência (Término): 31 de janeiro de 2019
Área do conhecimento:Ciências Humanas - Filosofia - História da Filosofia
Convênio/Acordo: Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES)
Pesquisador responsável:Marco Antônio de Ávila Zingano
Beneficiário:Simone Giuseppe Seminara
Instituição-sede: Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH). Universidade de São Paulo (USP). São Paulo , SP, Brasil
Vinculado ao auxílio:15/05317-8 - Teorias da causalidade e ação humana na filosofia grega antiga, AP.TEM
Assunto(s):Metafísica   Aristóteles   Platão

Resumo

O objetivo deste projeto é de estudar o papel da matéria nos livros Z-H da Metafísica de Aristóteles. Embora Aristóteles mencione no livro A a causa material como uma das quatro causas que devem ser estudadas na investigação metafísica, no livro Z, pelo menos à primeira vista, a noção de matéria parece ser um convidado indesejado. Em Z3, por exemplo, Aristóteles considera o critério de "ser um substrato" como não suficiente para a investigação sobre o sentido de substância, pois, segundo esse critério, matéria seria mais substância que a forma e o composto. Porém, ser um isto e ser separável são as principais características da substância, mas não valem para a matéria. Em Z4-6, no interior da investigação lógica sobre a essência, nenhuma menção é feita à noção de matéria. Em –Z10, a matéria em si é tomada como incognoscível. Em Z11, é dito que não há fórmula do composto de matéria e forma se tomado com a matéria, pois esta é dita ser "indefinida". Todas estas passagens nos apresentam uma visão deflacionária do papel da matéria na investigação sobre o sentido de substância e, consequentemente, da questão do ser. A principal tarefa de meu projeto de pesquisa consiste em verificar se as referências de Z ao caráter indeterminado e incognoscível da matéria estão em oposição à causalidade material, tal como é demonstrada nas pesquisas físicas e que aparece no livro A da Metafísica. A principal hipótese de trabalho é que o livro H é onde Aristóteles dá lugar à causalidade material no interior da investigação metafísica. De fato, em H, Aristóteles desenvolve a sugestão metodológica feita em Z17 que a busca do sentido de substância deve agora ser guiada pelo sentido explicativo de substância como "princípio e causa". Esta investigação consiste em explicar "por que uma certa matéria é uma dada coisa determinada" e é desenvolvida ao logo de todo o livro H. Em minha leitura, Aristóteles dá à materia, em H, cidadania plena tanto no plano ontológico quanto no da definição. Isso requer, contudo, que a noção de matéria seja entendida em uma perspectiva diferente, a saber, como potencialmente determinada. Se se adere a esta mudança teórica, é possível dar uma leitura do livro H diferente da tradicional. Longe de ser uma série de apêndices ao livro Z que o precede, o livro H dá término a Z, operando com o fato que "todas as substâncias sensíveis têm matéria" e que a matéria é, em cada caso, o mode de ser potencial de algo determinado (H1). No resto do livro H, Aristóteles detalha a questão sobre as condições de determinabilidade do substrato material: em H2-3 ao pôr em foco em especial a relação entre matéria como potencialidade e forma como atualidade na composição da substância sensível; em H3-5, ao pôr em foco em especial o papel da matéria no processo de geração e corrupção. O ponto culminante da análise de H do aspecto materia das substâncias sensíveis é H6, onde Aristóteles nos fornece uma explicação da matéria que não está em oposição ao requerimento de unidade de sua teoria do ser e da definição. (AU)