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Realismo, subdeterminação e evidência não empírica: controvérsias filosóficas nos fundamentos da teoria das cordas

Processo: 14/25882-9
Linha de fomento:Bolsas no Brasil - Mestrado
Vigência (Início): 01 de março de 2015
Vigência (Término): 28 de fevereiro de 2017
Área do conhecimento:Ciências Humanas - Filosofia - Epistemologia
Convênio/Acordo: Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES)
Pesquisador responsável:Osvaldo Frota Pessoa Junior
Beneficiário:Diana Taschetto
Instituição-sede: Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH). Universidade de São Paulo (USP). São Paulo , SP, Brasil
Assunto(s):Filosofia da ciência   Teoria das cordas   Gravitação

Resumo

Atualmente, a física contemporânea caracteriza-se pelo reconhecimento de quatro forças ou interações (consideradas) fundamentais, a saber, (1) o eletromagnetismo; (2) a força nuclear forte; (3) a força nuclear fraca e (4) a gravidade. Dentre estas apenas a gravidade resiste à descrição nos termos da teoria quântica. (1), (2) e (3) são representadas nos termos do modelo padrão das partículas elementares; este por sua vez formulado de acordo com o quadro da Teoria Quântica de Campos (TQC), enquanto (4) é apresentada de acordo com os princípios da Teoria da Relatividade Geral (TRG) cujo modelo conceitual (princípios, parâmetros, imagem de mundo) é logicamente incompatível com TQC. Leis gerais, porém, bases da arquitetura intelectual científica, ambicionam ser válidas para todos os fatos da natureza: TQC e TRG não podem ser ambas universais, não podem ambas tomar o universo físico inteiro como domínio de aplicação - analogamente, tampouco é o mundo dividido em dois sistemas, um regido por leis relativísticas e outro por leis quânticas. Em princípio, TQC e TRG governam os mesmos sistemas físicos. Forçosamente, assim, existem situações onde ambas as teorias devem interagir; tal reconciliação (uma teoria da gravidade quântica) consiste no maior desafio da física teórica atual. A unificação da microfísica com a cosmologia e a apresentação de uma teoria universal (teoria de tudo) consiste na proposta ambiciosa da teoria das cordas. Embora a proposta de uma mudança da visão atômica de pontos para cordas unidimensionais remonte há mais de quarenta anos, a complexidade matemática da arquitetura axiomática da teoria das cordas implica em um grande espectro de especulações e interpretações de conceitos (físicos, matemáticos) classificados como (1) não empiricamente confirmados e (2) talvez empiricamente inconfirmáveis. Exemplos variam de um número considerável de dimensões espaciais extras à predição de universos paralelos inobserváveis em inflação cósmica. O status científico da teoria das cordas e a quantidade de físicos teóricos eminentes na área sugerem, contudo, que o problema da falta de evidência empírica, outrora argumento para negar cientificidade a uma hipótese, embora inegavelmente preocupante é insuficiente para descartá-la como candidata à teoria de tudo e que, de modo mais abrangente, critérios epistemológicos de avaliação mais dinâmicos e complexos que os descritos pelas tradicionais filosofias da Ciência empiristas (Popper, Carnap) e até certo ponto ignorados por modelos menos rígidos e históricos (Lakatos, Feyerabend) compõem as práticas metodológicas da microfísica moderna. De relevância direta para filósofos da Ciência, a teoria das cordas indica um novo elenco de comportamentos sobre como a Ciência funciona. Poderíamos, dada a impossibilidade de corroboração direta decorrente de limitações tecnológicas (situada na chamada escala de Planck, 10-33 cm, a escala das cordas está a dezoito níveis de energia superior aos experimentos LHC viáveis na CERN) indicar critérios de avaliação epistemológicos de ordem não empírica? Pode ao princípio de subdeterminação ser conferido um papel delimitador? Que significado empírico poderá a teoria das cordas possuir, se não for testável? O ideal problemático de uma teoria da gravidade quântica sugere a revisão de nossas noções intuitivas de tempo, espaço e matéria; analogamente, sendo a teoria das cordas uma teoria quântica, seus fundamentos implicam em dificuldades ontológicas semelhantes às que vêm preocupado físicos e filósofos desde o advento da Mecânica quântica. Uma vez que não há qualquer evidência (física) de efeitos quânticos gravitacionais e teóricos das cordas constroem sua teoria por razões de ordem de coerência teórica, questões concernentes à justificação, à metodologia e ao modo com que tal teoria se relaciona com o mundo, a serem investigadas nesta pesquisa, deixam entrever a importância do referencial epistemológico e filosófico no progresso científico. (AU)

Publicações acadêmicas
(Referências obtidas automaticamente das Instituições de Ensino e Pesquisa do Estado de São Paulo)
TASCHETTO, Diana. Mundos e cordas: ontologia e epistemologia em física fundamental. 2018. Dissertação de Mestrado - Universidade de São Paulo (USP). Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas São Paulo.

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